Os pilotos da MotoGP se reuniram com os dirigentes do Campeonato Mundial em Phillip Island, com o objetivo de obter uma série de garantias para concordarem em correr no Catar daqui a duas semanas.
A única rodada tripla desta temporada surgiu como resultado do adiamento do GP do Catar. A corrida em Losail estava inicialmente marcada para abril, mas foi transferida para novembro devido ao conflito armado no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã. Embora o nível de hostilidade tenha diminuído consideravelmente desde os primeiros meses de guerra, a região ainda passa por um período de instabilidade.
Apesar disso, os executivos do MotoGP Sports Entertainment Group (MGPSEG) afirmam ter garantias suficientes do governo do Catar para que o evento, marcado para 8 de novembro, ocorra com total segurança. A Associação de Equipes (IRTA) confirmou a todos os membros, no início desta semana, que a corrida seria realizada.
Há duas semanas, na Indonésia, vários pilotos se manifestaram para expressar suas reservas quanto à intenção dos organizadores de ir correr em Losail. Por meio de um grupo do WhatsApp criado há anos, os pilotos deram suas opiniões sobre o assunto e realizaram uma votação, na qual três quartos do grid se opuseram à viagem.
Na tarde de quinta-feira, em Phillip Island, eles se reuniram em um escritório no circuito para tratar do assunto por conta própria, sem a presença de nenhum membro do promotor do Campeonato Mundial.
Nessa reunião, vários dos presentes propuseram solicitar aos organizadores uma série de garantias, por escrito, para que concordassem em fazer a viagem. As exigências incluem a garantia de um plano de evacuação para todo o paddock, caso seja necessário, a cobertura dos custos de hospedagem caso o espaço aéreo seja fechado e um seguro de repatriação caso o conflito se agrave enquanto os membros do paddock estiverem lá.
Todas essas solicitações foram apresentadas ao vice-CEO da MotoGP, Carlos Ezpeleta, durante a reunião da Comissão de Segurança realizada na sexta-feira, às 18h, nos escritórios da MGPSEG no circuito australiano.
As equipes vêm trabalhando há semanas partindo do pressuposto de que o GP do Catar será realizado. De qualquer forma, se há algo que parece claro, é que esse episódio pode acabar se tornando o fator que levará a tão discutida associação de pilotos a começar a funcionar.
Na verdade, a organização já havia sido criada há três anos, e Sylvain Guintoli chegou a ser nomeado seu porta-voz, embora o francês nunca tenha assumido efetivamente o cargo. Desta vez, a importância da questão em pauta parece suficiente para fazer a iniciativa de um sindicato dos pilotos engrene.
“Acho que surgiram uma série de situações que nos fizeram entender que [a associação] é necessária. Estamos cientes disso e entendemos que é para o nosso próprio bem. Em 2023, houve uma tentativa de colocá-la em prática, mas agora todos percebemos que precisamos dela”, disse Álex Márquez na quinta-feira.
“Isso não vai acontecer aqui, mas vamos discutir o assunto novamente quando voltarmos para a Europa”, acrescentou Francesco Bagnaia. “A união dos pilotos é algo importante. Começamos a pensar nessa união em 2023. Embora, depois, por um motivo ou outro, não tenhamos conseguido concretizá-la. Agora é o momento certo para retomá-la e para que os pilotos tenham mais voz".
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