O Citi reduziu a recomendação para as ações da Motiva (MOTV3) de compra para neutra, mesmo após elevar o preço-alvo de R$ 16,60 para R$ 20,40. Segundo o banco, a forte valorização dos papéis após o primeiro turno das eleições consumiu boa parte do potencial de alta da companhia, tornando o investimento menos atraente aos preços atuais.
Em relatório assinado pelo analista Filipe Nielsen, o Citi afirma que continua otimista com os negócios da Motiva, mas considera que as perspectivas positivas já estão refletidas nas cotações. Por volta das 14h40 desta quinta-feira (22), as ações recuavam 2,21%, a R$ 19,95, segundo o TradeMap, que informa atraso de 15 minutos nos dados.
O que você precisa saber
Valorização recente reduziu o espaço para novos ganhos. Apesar de continuar vendo oportunidades de crescimento e melhora dos resultados, o Citi considera que o preço atual das ações já incorpora boa parte desses benefícios. O novo preço-alvo de R$ 20,40 representa potencial de valorização de apenas 2,3% em relação à cotação consultada.
Continuamos construtivos em relação aos fundamentos e às oportunidades de melhoria do portfólio, mas o potencial de valorização parece mais limitado agora. Filipe Nielsen, analista do Citi, em tradução livre
Queda dos juros levou banco a elevar o preço-alvo. Taxas menores aumentam o valor atribuído aos lucros e ao dinheiro que a Motiva deverá gerar nos próximos anos. Esse efeito compensou uma pequena redução nas projeções de resultados, causada pelo tráfego mais fraco nas concessões no terceiro trimestre e por expectativas menores para o crescimento da economia.
Motiva pode ganhar menos com juros menores que concorrentes. A companhia tem endividamento relativamente baixo e já consegue tomar empréstimos em condições favoráveis. Isso significa que há menos espaço para economizar com a substituição de dívidas antigas por financiamentos mais baratos, segundo o Citi.
Apenas parte da dívida oferece oportunidade de economia. O banco calcula que 21% das dívidas da Motiva vinculadas à inflação, considerando operações de proteção financeira, têm custo igual ou superior ao dos títulos públicos de longo prazo utilizados como referência. Por isso, a queda dos juros pode trazer benefícios menores do que para empresas que possuem dívidas mais caras.
Mudanças em contratos de concessão podem demorar. O Citi também vê oportunidades para a Motiva ampliar receitas com alterações nos contratos de rodovias e linhas de metrô. Entre os projetos estão SPVias, AutoBAn e as linhas 5 e 17. Algumas aprovações, porém, podem ficar para o primeiro semestre de 2027.
Juros menores também podem reduzir os ganhos desses projetos. Como as condições dos contratos podem ser revistas, uma queda das taxas pode diminuir a remuneração prevista para novos investimentos. O Citi avalia que esse efeito tende a ser compensado pelo financiamento mais barato, mantendo o valor econômico dos projetos próximo ao estimado anteriormente.
Banco continua favorável aos negócios, mas não ao preço atual. Para o Citi, a Motiva mantém perspectivas positivas, apoiadas na qualidade de suas concessões e nas oportunidades de expansão. A recomendação neutra reflete principalmente o fato de que boa parte dos ganhos esperados já foi antecipada pela Bolsa.
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