O ato pró-Lula organizado hoje à noite por estudantes da PUC e da Uninove em frente ao teatro Tuca, em Perdizes, na zona oeste da capital, teve clima de 'virada' após a divulgação da pesquisa Datafolha que mostrou empate no número de votos válidos entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL).Com o quarteirão em frente à universidade tomado por jovens animados pela bateria do centro acadêmico, professores, alunos e políticos, como o ex-deputado José Dirceu, apelaram aos indecisos e ausentes no primeiro turno como fórmula para se alcançar a reeleição de Lula.A filósofa e escritora Marilena Chaui ressaltou os riscos, segundo ela, que a população brasileira está exposta em caso de vitória de Flávio. "Vocês querem a privatização do SUS? Querem a entrega de nossas terras raras aos Estados Unidos? Não? Então vamos à luta", pediu.Dirceu apelou à força dos estudantes para não apenas eleger Lula, mas para permanecer nas ruas em busca de avanços sociais e contra a resistência imposta pelo bolsonarismo.
"O Bolsonaro tá no meu bolso, eu quero ver que de virada é mais gostoso", gritavam os estudantes entre um discurso e outro. "Fomos virando com essa emoção, com o Exército do Janones. Mas não podemos ficar só nas redes. Vamos conversar mais também e ir atrás de quem se absteve", pediu a deputada federal reeleita Juliana Cardoso (PT).
Entre falas mais ou menos otimistas, os convidados pediram mobilização popular até a última hora para não deixar a vitória escapar. "A diferença que era de quatro pontos baixou para dois, para um e agora não existe mais. Agora vamos virar", disse o vereador Nabil Bonduki (PT).
O pedido de mobilização permanente também foi reforçado pela deputada federal reeleita Sâmia Bonfim (PSOL) para que se evite "retrocessos" diante de um Congresso Nacional mais conservador.
Ovacionado pelos estudantes — parte deles cotistas e participantes do Prouni —, o ex-ministro Fernando Haddad concentrou sua fala em criticar Flávio Bolsonaro. "Ele consegue ser pior que o pai. Ele não quer um mandato, quer um habeas corpus ", disse. "E nós queremos um mandato popular, queremos preservar a Amazônia, abrir escola, celebrar o Nordeste e preservar o SUS."
Apesar do otimismo, Haddad pediu esforço total da militância para lotar a Paulista no sábado (24). "Nada de cantar vitória, é salto baixo para a gente ter um amanhecer feliz e ensolarado no domingo."
A ex-ministra Marina Silva (Rede) seguiu na mesma linha. Ao comparar Lula com a familia Bolsonaro, ela disse que o presidente tem legado e os bolsonaristas, herdeiros. "E sabe qual a diferença? Herança se divide e legado se multiplica."
Celebrada pelos estudantes, Marina também alertou sobre as perdas ambientais que o Brasil voltará a registrar caso Flávio vença. "Não vamos deixar. Aquela menina preta do coração da floresta só foi senadora, ministra e deputada por causa da democracia. Assim como aquele retirante só virou presidente por ela. A frente ampla somos nós."
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