A SpaceX teve lucro líquido de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de US$ 1,1 bilhão do mesmo período de 2025, informou a companhia em seu balanço trimestral. A companhia elevou sua receita em 161% no terceiro trimestre, para US$ 14,58 bilhões, impulsionada sobretudo pelo aluguel de capacidade de computação para inteligência artificial.
O que aconteceu
O resultado operacional também passou de prejuízo para lucro. A SpaceX teve lucro operacional (resultado da atividade da empresa, antes de juros e impostos) de US$ 2,8 bilhões, contra prejuízo de US$ 273 milhões um ano antes. A empresa registrou ainda benefício de imposto de US$ 390 milhões, ante provisão de US$ 562 milhões em 2025.
Receita total foi de US$ 14,6 bilhões no trimestre. O valor é 161,4% maior que o do mesmo período de 2025 (US$ 5,6 bilhões). Segundo a companhia, o avanço foi puxado pelo segmento de Super Inteligência (SI, antes chamado de Inteligência Artificial) e pela aceleração em Conectividade.
Receita do segmento SI foi de US$ 7,6 bilhões, alta de 829,9%. Um ano antes, eram US$ 813 milhões. Segundo a companhia, o avanço vem de novos contratos de serviços em nuvem, da aquisição da Cursor e da maior adoção do Grok, seu modelo de IA.
A receita da área de IA cresceu mais de nove vezes e alcançou US$ 7,6 bilhões. A maior parte veio de contratos para aluguel de capacidade de centros de dados a empresas como Anthropic, Google e Reflection AI.
Os investimentos em IA consumiram US$ 16,4 bilhões dos US$ 19,6 bilhões gastos pela companhia no trimestre. A SpaceX espera manter os investimentos perto desse nível no futuro próximo.
O resultado superou as previsões do mercado para o período encerrado em 30 de setembro. Analistas esperavam receita de US$ 12,72 bilhões e lucro de US$ 1,57 bilhão, de acordo com dados da LSEG.
O lucro por ação foi de 45 centavos, acima da estimativa média de 13 centavos. O cálculo é da IBES.
A Cursor contribuiu com US$ 608 milhões em receita desde a compra. A SpaceX concluiu a aquisição em 14 de agosto, com valor implícito de US$ 60 bilhões. O resultado operacional do segmento SI, de US$ 431 milhões, inclui US$ 1,2 bilhão em remuneração em ações ligada à compra.
Receita de Conectividade somou US$ 5,2 bilhões, alta de 69,5%. O segmento, que reúne o Starlink, tinha 13,6 milhões de assinantes consumidores ao fim de setembro, ante 7,2 milhões um ano antes. A receita média mensal por assinante caiu de US$ 83 para US$ 69.
Receita do segmento Espaço foi de US$ 1,8 bilhão, alta de 6,1%. Os lançamentos caíram para 35, de 44 um ano antes, e o segmento teve prejuízo operacional de US$ 7 milhões, contra lucro de US$ 259 milhões. A empresa diz que acelerou investimentos em pesquisa do Starship.
Elon Musk afirma que a empresa vive um momento decisivo em suas operações. "Estamos em um ponto de inflexão para a SpaceX em lançamentos, conectividade e superinteligência", disse em teleconferência com investidores.
Ebitda ajustado foi de US$ 8,8 bilhões, alta de 306,1%. O Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, e a empresa ainda exclui a remuneração em ações. Pelos números do balanço, a margem do indicador sobre a receita subiu de 38,9% para 60,4%.
Investimento (capex) somou US$ 19,6 bilhões, alta de 184,8%. Capex é o gasto em máquinas, obras e tecnologia. O segmento SI respondeu por US$ 16,4 bilhões, contra US$ 4,8 bilhões um ano antes. Segundo a companhia, a capacidade de computação do segmento chegou a 1,7 gigawatt.
Dívida e arrendamentos financeiros somavam US$ 38,8 bilhões em 30 de setembro. Em 31 de dezembro de 2025, eram US$ 22,9 bilhões. Desse total, US$ 12,9 bilhões são com partes relacionadas. O caixa era de US$ 51,3 bilhões, além de US$ 38,6 bilhões em títulos e valores mobiliários.
O que diz a SpaceX
Segundo a companhia, foi a primeira missão do Starship a gerar receita. O voo 14, o primeiro orbital do foguete, levou 26 satélites Starlink V3 à constelação. A empresa afirma que a missão adicionou cerca de dez vezes a capacidade de downlink (transmissão do satélite ao usuário) de um lançamento do Falcon 9.
O diretor financeiro (CFO) atribui o resultado ao Starlink e à Super Inteligência. Em comentário no release, diz que a receita foi impulsionada pela Conectividade e por uma inflexão clara no negócio de SI. Segundo ele, isso gera alavancagem operacional (lucro crescendo mais que a receita).
A SpaceX fechou acordo para comprar licenças de espectro na faixa de 800 MHz. O acordo, de 8 de outubro, cobre até 14 megahertz pareados de licenças da FCC, a agência de telecomunicações dos EUA, e reforça a estratégia do Starlink Mobile, segundo a empresa. A conclusão é esperada para o primeiro semestre de 2027, sujeita a aprovação regulatória.
No acumulado de nove meses
A SpaceX teve prejuízo líquido de US$ 413 milhões nos nove meses. O valor é menor que o prejuízo de US$ 2,6 bilhões do mesmo período de 2025. A receita foi de US$ 27,1 bilhões, alta de 97,5%, e o resultado operacional virou de prejuízo de US$ 1,2 bilhão para lucro de US$ 705 milhões.
Starlink cresce com planos mais baratos
A Starlink atingiu 13,6 milhões de assinantes no terceiro trimestre, acima dos 12,19 milhões esperados por analistas. A expansão ocorreu com novos lançamentos de satélites e serviços para consumidores, empresas, aviação, transporte marítimo e governos.
A receita mensal média por assinante caiu de US$ 99, em 2023, para US$ 69 no terceiro trimestre. A empresa atribui a queda à expansão internacional e à oferta de planos mais baratos.
O sistema de foguetes reutilizáveis Starship ainda não entrou em operação comercial. A SpaceX espera usar o veículo para lançar satélites Starlink de maior capacidade e infraestrutura de computação em órbita.
Tesla e SpaceX avaliam fusão
Musk diz que não participa das discussões por ter conflito de interesses na operação. A declaração foi reproduzida pela CNBC.
O empresário defende que a união das companhias pode ampliar a cooperação no desenvolvimento de software e chips. "Acredito que há muito mérito em unir as empresas, já que estamos praticamente na singularidade da superinteligência, e há muito a ganhar com a cooperação", disse Musk.
A eventual fusão depende do aval dos acionistas da Tesla. Musk afirma que a operação precisaria do voto favorável de 50% de todas as ações da empresa, e não só das ações que participarem da votação.
Ira Ehrenpreis integra os conselhos de administração da Tesla e da SpaceX. Musk disse considerar a fusão uma boa ideia, mas afirmou que a decisão final cabe aos acionistas.
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