Em agosto, escrevi neste espaço que faz 10 anos que o Vasco não se sagra campeão carioca. O último título brasileiro tem 26 anos. A última Libertadores, 28. Neste milênio, além de três estaduais, o clube conquistou uma Série B (2009) e uma Copa do Brasil (2011) — e quatro rebaixamentos. A pergunta no centro do texto era: quanto tempo precisa durar uma má fase para ela deixar de ser uma fase e se tornar aquilo que você realmente é?
Hoje, o Cruzmaltino perdeu a oportunidade de virar a página de uma fase que periga virar regra, e não exceção. Venceu o Boca Juniors fora de casa, por 1 a 0, e chegou ao Maracanã podendo até empatar com os argentinos.
Lançou-se desgovernadamente ao ataque e logo se viu perdendo por 2 a 0. Pumita marcou o gol que levaria à disputa de pênaltis, mas aos 42 do segundo tempo Paredes garantiu a vitória Xeneize com a contribuição de Leo Jardim. Aquele que poderia ser o herói dos penais, tornou-se vilão ainda no tempo normal.
O que seria uma final continental com chance de vaga na Libertadores de 2027 virou o nada. Fumaça. Mais uma eliminação. Mais uma frustração. Mais um renascimento que não veio.
Apesar de todas as decepções, em todos esses anos, o Vasco mantém a quinta maior torcida do país e o respeito dos adversários. Por quanto tempo, não sabemos.
Com o fim do sonho sul-americano e o perigoso 15o lugar no Brasileirão, a semifinal da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, passa a ser a boia de salvação não só da temporada, mas de uma instituição que insiste em não naufragar. Quis o destino que fosse contra um clube irmão, cada vez mais entrelaçado com o Gigante da Colina, pelas vias tortas da família Lamacchia.
O desafio, de novo, é hercúleo. Assim como o esforço que o Vasco exige de sua torcida.
Siga Alicia Klein no InstagramSe inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTubeAssine a newsletter da Alicia Klein
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.