Milhares de pessoas deslocadas em razão de incêndios florestais que devastaram pontos de Espanha e França começaram a retornar para suas casas nesta quarta-feira (29). Estima-se que as chamas tenham consumido mais de 120 mil hectares nos dois países, uma área que equivale a quase uma cidade de São Paulo inteira.
"Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa", disse o aposentado José Fernández, 74, à AFP ao se deparar com os móveis queimados, paredes parcialmente desabadas e montanhas de cinzas no que antes era sua casa na cidade de Pelayos de la Presa, perto de Madri. "Tudo se foi", lamentou ele, com os olhos marejados.
Apesar da autorização para que as pessoas pudessem regressar para suas casas, a cidade espanhola continuava parcialmente vazia.
Ao todo, desde terça (24), em torno de 24 mil pessoas começaram a retornar para seus imóveis na região de Madri e na província de Ávila, epicentros dos incêndios, que estão entre os maiores já registrados no país.
Embora a situação dos incêndios florestais pareça ter se estabilizado na Espanha e França, as autoridades nos dois países alertam que o calor intenso e o vento previstos para o dia ameaçam alimentar novos focos.
Os incêndios são consequência do aumento da inflamabilidade das florestas e da vegetação devido à seca e às ondas de calor excepcionais que ocorrem desde junho, resultado das mudanças climáticas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que as próximas 12 horas serão decisivas para conter os incêndios perto de Madri.
Em Aldea del Fresno, a dona de casa Susana Barrul, 39, não escondeu a felicidade após voltar ao seu terreno, que permaneceu intacto. "Estamos felizes por estar de volta. Estamos tentando voltar à normalidade", disse ela, fazendo a ressalva de que a localidade ainda parecia uma cidade fantasma.
França também contabiliza danos
Na França, milhares de pessoas também foram autorizadas a retornar para casa na região vinícola de Bordeaux, afetada pelo maior incêndio florestal no país desde 1949, com 42 mil hectares queimados e mais de 220 mil deslocados.
O incêndio permanecia estabilizado na manhã desta quarta-feira, após uma segunda noite de calmaria, apesar do retorno das temperaturas mais altas, segundo a prefeitura.
"Hoje estamos com medo", disse à AFP Jérémy Presi, voluntário em um posto improvisado de distribuição de água ao norte de Marcheprime, cidade a cerca de 30 km a oeste de Bordeaux.
"Eles, os turistas, podem entrar em seus carros e ir embora. Esta é a nossa casa", disse ele em meio à densa fumaça que escurecia a estrada.
A prefeitura afirmou que a área queimada não aumentou nas últimas horas. O número de bombeiros feridos subiu para 126, com 16 a mais em comparação ao saldo do dia anterior.
As condições meteorológicas permanecem desfavoráveis nesta quarta-feira devido ao aumento das temperaturas, que podem atingir 41°C no interior e 38°C na costa.
Os ventos secos também persistem, com rajadas que podem atingir os 45 km/h no final do dia.
Diante dessas condições, bombeiros alertaram para "um risco extremamente alto de reativação dos incêndios" ao longo do dia.
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