O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) encerrou, por volta das 5h de hoje, os estados de atenção para alagamentos na capital paulista e de alerta em Santo Amaro e no Ipiranga, ambos na zona sul. As medidas haviam sido adotadas durante a madrugada devido às chuvas.
O que aconteceu
A capital paulista ficou sob alerta entre 1h47 e 5h. A Subprefeitura do Ipiranga entrou em estado de alerta às 4h, após o Ribeirão dos Meninos transbordar na avenida Guido Aliberti, na altura do número 2.805. Em Santo Amaro, o alerta foi emitido às 2h59, após o córrego Águas Espraiadas transbordar na rua Jorge Duprat, na altura do número 15.
Durante a madrugada, da 0h às 5h30, os bombeiros atenderam 15 ocorrências. Na capital e na Região Metropolitana, três foram por quedas de árvores, uma para desabamento e 11 para enchentes, de acordo com a corporação.
Áreas de instabilidade associadas à aproximação de uma frente fria ainda podem provocar chuva de até forte intensidade na capital paulista. Há possibilidade de rajadas de vento e descargas elétricas durante as precipitações, informou o CGE.
Maiores índices acumulados na Rede Telemétrica do Alto Tietê
A Defesa Civil enviou um alerta por celular aos moradores da capital por volta das 2h25. A mensagem informava que a chuva forte avançava pelas zonas oeste e central e orientava a população a permanecer em local seguro. O aviso também alertava para a possibilidade de granizo, ventos fortes e descargas elétricas, inclusive em municípios vizinhos.
Qual é a previsão
A previsão para hoje é de muita nebulosidade e chuva ao longo do dia. De acordo com o CGE, podem ocorrer períodos de melhora, mas o céu deve permanecer nublado e as temperaturas não devem subir muito.
Os termômetros devem marcar entre 17°C e 23°C, com umidade relativa do ar acima de 70%. Com o solo encharcado, permanece elevado o risco de alagamentos e deslizamentos de terra na Grande São Paulo.
MP cobra explicações após enchentes
O Ministério Público de São Paulo deu 48 horas para a Prefeitura de São Paulo informar quais medidas adotou durante o temporal de quarta-feira. A tempestade provocou alagamentos na cidade, deixou pessoas ilhadas e causou a morte de uma pessoa.
A solicitação foi feita pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital. O órgão quer saber se a administração municipal acionou a Defesa Civil, emitiu alertas à população, prestou atendimento às pessoas atingidas e tomou outras providências previstas no plano de contingência.
A manifestação foi apresentada no processo em que a prefeitura foi cobrada a elaborar planos de intervenção de curto, médio e longo prazos para prevenir e controlar enchentes. A decisão judicial se tornou definitiva em 22 de janeiro deste ano. Isso significa que não cabe mais recurso, e o município deve cumprir a determinação. Os planos devem estabelecer as intervenções necessárias para enfrentar o problema das enchentes em diferentes prazos.
O MP pediu que a Justiça determine o cumprimento imediato da sentença, reconheça o atraso do município e aplique a multa diária de R$ 10 mil prevista na decisão. Entre as ocorrências citadas pela Promotoria estão o alagamento do túnel do Anhangabaú, onde veículos ficaram empilhados e pessoas ficaram ilhadas, e o transbordamento do lago do Parque Ibirapuera. O órgão também mencionou a morte de uma pessoa em decorrência do temporal.
A Promotoria afirmou que continuará acompanhando o caso e poderá adotar outras medidas para garantir o cumprimento da decisão judicial. A manifestação ocorre após novos episódios de alagamento na capital e busca tanto esclarecimentos sobre a resposta da prefeitura ao temporal quanto o cumprimento da determinação judicial sobre o planejamento de ações contra enchentes.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o protocolo para responder ao alagamento do túnel do Anhangabaú funcionou. "A gente começou lá o alagamento no Anhangabaú, às 16h10. Quando era 16h40, eu já estava com os caminhões, com mais bombas, fazendo a sucção da água. Então a prefeitura fez um grande investimento. O protocolo funcionou", disse.
Nunes atribuiu os transtornos ao volume de chuva. "A gente vive um momento de mudança climática. Cair 40% da chuva prevista para o mês inteiro, em poucos minutos? A gente, obviamente, tem uma situação que é diferente de um padrão normal", afirmou. O prefeito disse ainda que a gestão pretende melhorar os protocolos e avaliar a ampliação da capacidade das bombas.
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