A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que disse hoje (15) a missões internacionais de observação eleitoral que ferramentas da Meta trataram de forma desigual conteúdos e anúncios no período eleitoral.
Em reunião com o TSE hoje de manhã, a Meta disse que o uso de IA nas eleições busca seguir os critérios definidos pelo tribunal, de acordo com detalhado em plano de conformidade enviado à corte e se comprometeu a vedar o impulsionamento por coligações eleitorais feito com moeda estrangeira e por apoiadores, em vez das campanhas oficiais.
O que aconteceu
Coordenação política da campanha apresentou a observadores credenciados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um conjunto de relatos sobre supostas falhas e decisões automatizadas da Meta. A reunião foi conduzida por Edinho Silva, coordenador político da campanha e presidente nacional do PT.
Representantes da campanha afirmaram ter reunido oito ocorrências, com documentação e estudos de terceiros, que indicariam um desequilíbrio digital em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL). O grupo sustenta que haveria interferência indevida da plataforma e sinais de violação do princípio de isonomia entre as duas candidaturas.
Campanha também cobrou mais transparência da empresa sobre o funcionamento e a justificativa de decisões automatizadas. Segundo o relato, as explicações dadas pela Meta para problemas técnicos não foram claras e os efeitos teriam sido seletivos, sem registro equivalente de prejuízo para o adversário.
Entre os exemplos citados, a campanha mencionou a desativação temporária de uma conta de anúncios de Lula. Também apontou variações na contagem de visualizações que teriam afetado o desempenho de vídeos e desequilíbrios de engajamento entre páginas e a suspeita de tratamento algorítmico diferente entre as campanhas.
Outros episódios apontados envolvem restrição de 24 horas para impulsionamento via feed do Instagram e a recusa de uma ferramenta de inteligência artificial da Meta em gerar materiais com Lula. De acordo com a campanha, pedidos semelhantes com Flávio Bolsonaro teriam sido atendidos.
Participaram do encontro representantes da OEA (Organização dos Estados Americanos), da União Europeia e de outras missões internacionais. Também estiveram presentes integrantes da Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais), do Parlasul (Parlamento do Mercosul), da Liga dos Estados Árabes e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países da CPLP (ROJAE-CPLP).
A campanha disse que já havia feito pedidos sucessivos ao TSE e levado uma denúncia à presidência da Corte Eleitoral para cobrar explicações da Meta. O grupo informou ainda ter criado um canal oficial para receber relatos de suposta censura e de comportamentos considerados anômalos nas plataformas.
Após a reunião, o TSE anunciou uma decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze sobre o tema. Segundo a campanha, o ministro acolheu o pedido e determinou que a Meta adote medidas para garantir tratamento igualitário às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
O que a campanha diz que vai fazer agora
A campanha de Lula informou que vai formalizar os apontamentos e entregar às missões observadoras a documentação com as evidências reunidas. A intenção, segundo o grupo, é permitir que os observadores acompanhem as respostas da empresa e as decisões do TSE.
Meta teve reunião hoje no TSE
O presidente e o vice-presidente do TSE, ministros Nunes Marques e André Mendonça, se reuniram hoje de manhã com representantes da Meta. O encontro discutiu a atuação no combate a propagandas eleitorais irregulares e a "paridade de armas" entre os candidatos nas ferramentas da Meta.
Segundo a empresa, foi iniciado um aperfeiçoamento nos filtros da Meta AI a partir das respostas diferentes para cada candidato. A Meta afirma que os critérios sobre o uso de IA nas eleições buscam seguir os critérios definidos pelo TSE.
Na esteira das decisões sobre o canal "Exército do Lula", Nunes Marques e Mendonça questionaram que medidas foram tomadas para identificar mensagens enviadas em canais que venham a ser questionadas como propaganda irregular. Em resposta, a empresa alegou que as mensagens em canais não são criptografadas, e os metadados das mensagens são retidos e fornecidos na hipótese de decisão judicial.
Meta também tinha dado explicações após ação de campanha de Lula
Em manifestação ao TSE no dia 12, a Meta negou ter operado seus sistemas para favorecer ou prejudicar candidatos. A manifestação ocorreu em ação protocolada pela campanha do presidente Lula (PT).
A empresa também rejeitou a alegação de favorecimento a candidatos, partidos ou coligações. A empresa afirmou que a mesma narrativa de favorecimento do adversário é invocada, simultaneamente, pelos dois polos da disputa e que ainda não há evidência tecnicamente verificável de seletividade ou manipulação contra campanhas.
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