O Goldman Sachs revisou para baixo suas projeções para o dólar após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. O banco americano agora espera que a moeda seja negociada a R$ 4,70 em três meses, diante da expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de uma política econômica mais favorável ao mercado financeiro.
A estimativa anterior era de R$ 5,20 para o mesmo período. Em relatório divulgado na sexta-feira (9), o banco também reduziu suas projeções para 6 e 12 meses, passando a prever o dólar a R$ 4,75 e R$ 4,80, respectivamente.
O que aconteceu
Goldman vê espaço para valorização adicional do real. Segundo os analistas, a alta de mais de 4% da moeda brasileira na segunda-feira (5), após o primeiro turno, reflete a expectativa de uma política econômica mais favorável aos investidores. O desempenho dos candidatos de direita nas disputas pelo Congresso e pelos governos estaduais também contribuiu para melhorar as perspectivas.
Vitória de Flávio Bolsonaro é considerada o cenário mais provável. O banco avalia que o resultado das urnas e as pesquisas divulgadas após o primeiro turno apontam nessa direção. Para os analistas, a composição do Congresso também pode facilitar a aprovação de medidas econômicas em um eventual governo do senador.
Dólar pode chegar a R$ 4,50 em cenário favorável. O Goldman Sachs considera plausível que a moeda americana seja negociada entre R$ 4,50 e R$ 4,80 caso o resultado das eleições seja acompanhado de uma política de maior controle das contas públicas. A avaliação é que parte da desconfiança dos investidores em relação à situação fiscal brasileira pode desaparecer.
Banco usa eleição de 2018 como referência. Naquele ano, o dólar recuou aproximadamente 10% em torno do primeiro turno, diante do avanço das expectativas de vitória de Jair Bolsonaro. Para o Goldman, o movimento sugere que o real ainda pode ganhar força nas próximas semanas.
Novas projeções representam uma mudança significativa. Antes das eleições, o banco esperava o dólar a R$ 5,20 em três meses, R$ 5,10 em seis meses e R$ 5 em um ano. Agora, as estimativas são de R$ 4,70, R$ 4,75 e R$ 4,80, respectivamente. Considerando a cotação de R$ 5,02 utilizada como referência no relatório, a previsão para três meses representa uma queda de aproximadamente 6,4% do dólar.
O que pode fazer o dólar cair ainda mais?
Anúncios econômicos serão decisivos. O Goldman Sachs avalia que a indicação dos integrantes da equipe econômica e a apresentação das primeiras medidas de um eventual governo Flávio Bolsonaro serão fundamentais para sustentar uma nova rodada de valorização do real.
Controle dos gastos públicos pode favorecer a moeda brasileira. Segundo o banco, uma política fiscal considerada mais responsável poderia reduzir o risco atribuído pelos investidores ao Brasil. Na prática, isso significa que o país poderia atrair mais recursos estrangeiros, aumentando a procura por reais e pressionando o dólar para baixo.
Queda dos juros pode limitar os ganhos do real. O banco ressalta, porém, que a perspectiva de cortes mais expressivos da taxa básica de juros tende a reduzir a atratividade dos investimentos brasileiros ao longo do tempo. Isso ajuda a explicar por que a instituição prevê um dólar ligeiramente mais caro em 12 meses do que em três meses.
Há riscos de frustração após as eleições. Os analistas alertam que a valorização do real dependerá da concretização das expectativas em relação à política econômica. Anúncios considerados insuficientes pelo mercado podem provocar uma reversão do movimento. O banco também destaca que dezembro costuma registrar uma saída mais intensa de recursos do país, o que pode pressionar a cotação do dólar.
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