Agentes pessoais de IA já ajudam consumidores a cortar contas, cancelar serviços e cobrar créditos, pressionando empresas que lucram com a inércia dos clientes, mostra reportagem do Business Insider.
O que você precisa saber
Esses programas podem analisar transações bancárias, identificar assinaturas esquecidas e pedir o cancelamento dos serviços. Também são usados para comparar seguros, contestar cobranças e buscar reembolsos ou créditos de viagem.
Noah Shinn, presidente-executivo da Instinct, afirma que a ferramenta informa ao usuário quanto dinheiro economizou. "Ela apenas devolve o valor do que economizou para você", disse Shinn em episódio do podcast Invest Like the Best.
O engenheiro AJ Stuyvenberg usou o ChatGPT para negociar sua conta da Verizon após receber uma oferta da Comcast. O agente reduziu a mensalidade de US$ 94,99 para US$ 69,99 e obteve um crédito de fidelidade de US$ 47,50.
Stuyvenberg calcula ter economizado US$ 347,50 em um ano com o acordo. "É bom usar a IA para tirar um pouco da burocracia da minha vida", afirmou.
David Pawlan recuperou US$ 73 em créditos de viagem após acompanhar a queda das tarifas de três voos da United. Ele usou ferramentas de IA para fazer os pedidos e disse que cada solicitação levou cerca de cinco minutos.
Setores com preços difíceis de comparar ficam mais expostos
As ações da Airbnb e da Booking.com caíram 12% e 10%, respectivamente, nas duas semanas após o lançamento do Muse, da Meta. No mesmo período, os papéis da rede de academias Planet Fitness recuaram 17%.
Craig Moffett, analista da MoffettNathanson, avalia que imóveis, seguros e serviços financeiros se encaixam melhor nesse modelo. Para ele, os agentes têm mais efeito onde preços são difíceis de comparar ou fornecedores são difíceis de identificar.
O mercado de seguros nos EUA ilustra o possível tamanho dessa pressão sobre as empresas. Se 5% dos clientes obtivessem preços 10% menores, cerca de US$ 2,8 bilhões em prêmios anuais estariam em jogo, em um cenário hipotético.
Empresas podem reagir com suas próprias ferramentas
Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management, diz que poucos usuários não devem alterar de forma relevante os resultados das empresas. "Se 40% a 50% dos clientes estiverem usando agentes, os efeitos serão perceptíveis", afirmou.
Ben Winters, da Federação de Consumidores dos Estados Unidos (Consumer Federation of America), diz que as companhias podem dificultar o acesso de consumidores e agentes aos seus serviços. Ele citou o bloqueio do Muse pela Amazon para fazer compras no site em nome dos usuários.
Tony Soloman, diretor de inteligência de seguros da J.D. Power, prevê que seguradoras também usarão IA para reter clientes mais lucrativos. A disputa pode colocar agentes de consumidores e sistemas das empresas em negociação direta.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.