O pentacampeão mundial Edmílson também negociou licenças com Alejandro Mancuso em 2024, mas a história teve um desfecho curioso. Na hora de pagar, o ex-volante da seleção brasileira avisou que havia desistido do negócio, mesmo com a papelada toda pronta para ser enviada ao Brasil pelo argentino.
"Eu não avancei, até porque não tinha interesse em ser treinador. Não aceitaria cortar caminho. Eu acho que, na vida, a gente precisa pagar o preço, seja em uma universidade, seja em qualquer profissão: na arquitetura, na parte jurídica. Você tem um processo a ser passado", contou Edmílson em entrevista exclusiva à coluna.
Os argumentos de Mancuso seguiram o padrão de sempre. Edmílson revelou que também recebeu fotos e prints de documentos de outros jogadores e ex-jogadores, como Thiago Silva.
A negociação com Mancuso tem basicamente dois passos: o envio de um documento e o comprovante da transferência para a conta bancária indicada pelo argentino, na maioria dos casos no valor de 20 mil dólares. Edmílson completou a primeira parte.
"Ele insistiu, pediu para eu mandar um documento, e eu mandei."
Em poucos dias, já com carteirinha, histórico escolar e diploma em mãos, Mancuso cobrou a transferência.
"Ele veio me cobrar, e eu falei: 'Cara, eu não vou acelerar esse processo, não. Primeiro, porque eu não quero ser treinador; segundo, porque eu não vou investir esse dinheiro numa coisa que eu não vou usar'."
Edmílson revela que Mancuso, então, lhe ofereceu uma licença argentina de gestão, que poderia ser mais útil para alguém com intenção de seguir carreira de executivo.
"Ele tentou me convencer de todas as formas. Ele deu uma pesada na questão de eu fazer o pagamento, sabe? Mas eu passei a simplesmente ignorá-lo. Eu não avancei com ele, não fiz pagamento algum e não recebi essas licenças."
O pentacampeão disse ainda à coluna que desconhecia que imagens de documentos falsificados em seu nome eram utilizadas por Mancuso há anos como exemplo de serviço executado.
"Eu entendo que todo tipo de certificado, licença ou até mesmo a carteira nacional de habilitação não se compra. Mesmo você sabendo dirigir, você tem que passar pela lei e passar pelo processo, né? Eu vou acionar o meu jurídico, porque ele me procurou e fez um documento sem a minha autorização."
Entenda o caso
O ex-volante argentino Alejandro Mancuso vendia licenças falsas de treinador da ATFA, a escola de técnicos da Argentina, a ex-jogadores consagrados. Pelo valor que chamava de padrão, R$ 100 mil, prometia enviar pelo correio, em até dez dias, os diplomas PRO, A, B e C. Em troca, o comprador não precisaria cursar a formação regular, que leva três anos.
Em áudios obtidos pelo UOL, Mancuso se apresentava como "diretor internacional da ATFA". Dizia que o esquema estava acertado com a cúpula da entidade e que tinha mais de 40 clientes só no Brasil.
Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Petkovic, Lugano, Luiz Gustavo e Paulinho, entre outros, confirmaram ter negociado com Mancuso ou recebido os documentos. A maioria afirma nunca tê-los usado. Felipe Melo conseguiu o dinheiro de volta.
Procurada pelo UOL, a ATFA diz que toda a documentação é falsa e que Mancuso não tem vínculo com a entidade.
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