O Aeroporto Internacional de Riad vai permanecer fechado por mais 24 horas após o ataque com míssil atribuído aos houtis pela coalizão liderada pela Arábia Saudita. A ação, que matou 12 pessoas e feriu 309 no sábado, causou danos extensos aos terminais 3 e 4.
O que aconteceu
Autoridades suspenderam os voos e iniciaram uma evacuação de emergência no aeroporto da capital saudita. Aeronaves com destino a Riad foram desviadas ou canceladas, enquanto equipes avaliavam os danos à infraestrutura.
O fechamento do aeroporto foi estendido até as 21h deste domingo, no horário universal coordenado UTC (18h de Brasília), informou o monitor de voos Flightradar24. Duas fontes do setor aéreo disseram que radares e equipamentos de comunicação foram danificados.
Quatro sauditas estão entre os mortos, incluindo um comandante da companhia aérea nacional. As demais vítimas fatais incluem dois cidadãos de Bangladesh e pessoas dos Estados Unidos, Egito, Jordânia, Síria, Palestina e Sudão.
Profissionais de saúde fizeram uma convocação em massa de médicos para atender os feridos, alguns em estado grave. Um passageiro relatou ter visto pessoas feridas no terminal doméstico: "Eu estava no portão 403. Vi o 401 ser atingido, vi feridos na minha frente. Todos estavam correndo."
Embaixadas estrangeiras alertaram seus cidadãos para não usarem o aeroporto após o ataque. As representações dos EUA, Canadá, Alemanha e Espanha emitiram avisos, e diplomatas relataram restrições ao uso do terminal por funcionários.
Ataque mais letal no país desde 2015
O ataque foi o mais letal em território saudita desde maio de 2015, quando um atentado do Estado Islâmico matou 21 pessoas em uma mesquita na província de Qatif. A coalizão liderada pela Arábia Saudita classificou a ação como um "crime de guerra em grande escala".
Os houthis alertaram contra o uso de aeroportos e do espaço aéreo sauditas, que chamaram de possíveis alvos de suas operações. O grupo não reivindicou imediatamente a autoria do ataque de sábado, mas assumiu ataques anteriores contra o aeroporto durante a semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que o país pode aderir a uma ação militar contra os rebeldes. "Podemos. Vamos analisar", disse, ao afirmar que decidiria após tomar conhecimento do ataque.
O ataque ocorreu na véspera da temporada de convenções e eventos de entretenimento da Arábia Saudita. Riad deve sediar conferências de energia e investimentos nas próximas semanas, e os organizadores afirmaram que os eventos serão mantidos.
O que se sabe até agora
O ataque de sábado o aeroporto deixou ao menos 12 mortos e mais de 300 feridos, de acordo com informações divulgadas por veículos e autoridades citadas nas reportagens. A explosão levou à suspensão das operações no principal aeroporto do país e mobilizou ambulâncias para o local, enquanto não havia, naquele momento, uma reivindicação imediata de responsabilidade.
Companhias aéreas cancelaram voos com destino a Riade após o ataque. Etihad Airways e Qatar Airways suspenderam diversas viagens entre seus centros de operação e a capital saudita, com parte dos cancelamentos prevista até segunda-feira (12), e a Kuwait Airways também anunciou o cancelamento de voos de e para a cidade.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita responsabilizou os houthis, do Iêmen, apoiados pelo Irã, e prometeu uma resposta firme. O episódio ocorreu em meio a uma escalada de ataques com mísseis contra o reino atribuídos ao grupo, que já havia reivindicado ações anteriores contra o aeroporto na mesma semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o ataque de "inaceitável" e disse que vai conversar com o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman. Ele afirmou a jornalistas que o governo americano avaliaria a possibilidade de participar de ataques contra os houthis, e que a decisão seria tomada após análise do episódio mais recente.
O enviado das Nações Unidas (ONU) para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou que o ataque ao aeroporto "constitui uma grave escalada" do conflito. "Ações como essas representam uma grave ameaça à segurança regional, perpetuam os ciclos de violência e complicam ainda mais os esforços de paz para o Iêmen", disse ele, ao pedir que os houthis "coloquem fim a esses ataques" contra alvos civis na Arábia Saudita.
Neste domingo, os houthis reiteraram alertas para que companhias aéreas, funcionários aeroportuários e viajantes se mantenham afastados de aeroportos sauditas. O grupo disse que aeroportos e o espaço aéreo do país continuam sendo alvos potenciais e afirmou que o reino seria responsabilizado por qualquer tentativa de interceptação que falhasse.
O ataque ocorreu durante a realização de um congresso internacional de energia em Riade, com participação de autoridades e executivos do setor. O Ministério de Energia saudita informou que o 25º Congresso Mundial de Energia começou no domingo, com duração de cinco dias, e participação confirmada de mais de 70 ministros e 300 executivos.
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