A proibição das bets e dos cassinos on-line tem o apoio de 66% dos donos de pequenos negócios brasileiros, segundo levantamento nacional realizado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) com mais de mil empresários. O estudo revela preocupação com os efeitos das apostas sobre o consumo das famílias, o faturamento das empresas e o comportamento dos trabalhadores.
Do total, 26% dos pequenos negócios relatam redução no faturamento associada às apostas on-line nos últimos 12 meses. Para 51%, as bets não tiveram efeito direto sobre as receitas, enquanto 23% não souberam avaliar e 0,2% registraram ganhos com as bets.
Com a proibição decretada pelo governo federal através de Medida Provisória das bets no mês passado, 38% dos empreendedores acreditam que suas vendas vão aumentar, enquanto 42% esperam estabilidade. Apenas 0,6% projetam queda e 19% não souberam avaliar.
Na avaliação dos possíveis efeitos sobre a economia local, os empresários atribuíram nota média de 6,1, em uma escala de zero a dez. Quase um quarto dos entrevistados (24%) deu nota máxima ao impacto esperado.
O Sebrae identificou mudanças no comportamento dos consumidores. Entre os entrevistados, 33% perceberam clientes com menos dinheiro disponível para compras, 18% observaram aumento da inadimplência ou atrasos nos pagamentos, 11,5% registraram mais pedidos de parcelamento ou compras fiadas e 10% afirmaram que houve troca por produtos mais baratos.
De acordo com a pesquisa, 57% dos entrevistados são totalmente favoráveis à proibição das bets e 8,8% apoiam a medida parcialmente. Outros 23,5% são contrários (sendo 17% totalmente contra), 9,9% se declararam indiferentes e 0,9% não souberam opinar.
"Os dados mostram com clareza que o recurso antes destinado ao consumo de bens, produtos e serviços no comércio local acabou migrando para os jogos on-line, afetando diretamente o caixa dos pequenos negócios", afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima.
Apostas também afetam os funcionários
Os efeitos das bets também foram percebidos no ambiente de trabalho. Entre os empreendimentos participantes da pesquisa que possuem funcionários, 40% afirmaram identificar impactos das apostas online sobre suas equipes.
Relatos reunidos pelo Sebrae mencionam endividamento, pedidos de adiantamento salarial, queda de produtividade e apostas durante o expediente. Também aparecem referências a noites mal dormidas e dificuldades financeiras que interferem na rotina profissional.
Além das respostas objetivas, quase metade dos empreendedores deixaram comentários sobre o tema. A análise dessas manifestações identificou como principal preocupação o vício em jogos, acompanhado de endividamento e problemas familiares.
Receio de migração para plataformas ilegais
Também foram registradas críticas à insegurança jurídica da proibição total, especialmente diante das autorizações já concedidas às empresas do setor. Uma parcela minoritária defendeu a liberdade de escolha individual e a educação financeira como formas de enfrentar os problemas associados às apostas.
Intitulado "Percepção dos pequenos negócios sobre o fim das Bets", o levantamento ouviu 1.028 microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) nas 27 unidades da Federação no início de outubro. O setor de serviços representou 53,2% dos respondentes, seguido pelo comércio (29,3%), indústria e construção (12,5%) e agronegócio (3,2%).
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