A indústria de fundos de investimento registrou retirada líquida de R$ 29,8 bilhões em setembro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O resultado foi puxado principalmente pelos fundos de renda fixa, que tiveram resgates líquidos de R$ 27 bilhões no mês.
A captação líquida representa a diferença entre o dinheiro colocado pelos investidores nos fundos e os valores retirados.
Apesar do resultado negativo em setembro, a indústria acumula entrada líquida de R$ 251,7 bilhões em 2026. Até o terceiro trimestre, este é o segundo melhor resultado dos últimos cinco anos, atrás apenas de 2024.
O que aconteceu
Renda fixa teve saída de R$ 27 bilhões em setembro, mas ainda lidera com folga no ano. De janeiro a setembro, a categoria recebeu R$ 136,1 bilhões líquidos. Os juros elevados têm favorecido investimentos mais conservadores, segundo a Anbima.
O investidor tem buscado correr menos risco. Pedro Rudge, diretor da Anbima, afirma que a combinação de juros altos e incertezas no cenário econômico e fiscal tem levado investidores a tirar recursos de ativos mais arriscados e buscar alternativas mais conservadoras.
Os investidores preferiram alocar os seus recursos que estavam direcionados para ativos de maior risco, multimercado e ações, para produtos mais conservadores
Pedro Rudge, diretor da Anbima
Multimercados tiveram retirada de R$ 3,6 bilhões em setembro. No acumulado do ano, os resgates líquidos chegam a R$ 9,3 bilhões. Segundo Rudge, além da busca por segurança, o desempenho desses fundos não tem agradado aos investidores.
Mesmo com as retiradas, o patrimônio dos multimercados não caiu na mesma proporção. Isso acontece porque os investimentos que continuam nas carteiras se valorizaram. A rentabilidade média da categoria chega a 7% no ano.
Fundos de ações também ficaram no negativo. Foram R$ 3,9 bilhões em retiradas líquidas em setembro e R$ 10,9 bilhões no acumulado de 2026. Na direção contrária, os ETFs, fundos negociados na Bolsa, receberam R$ 6,6 bilhões no mês.
FIDCs tiveram saída líquida de R$ 4,4 bilhões. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios investem em dívidas e valores que empresas e instituições têm a receber. O patrimônio da categoria ficou em cerca de R$ 819 bilhões em setembro, após R$ 819,7 bilhões em agosto.
No acumulado do ano, porém, os FIDCs ainda têm entrada líquida de R$ 56 bilhões. É a segunda maior entre as classes acompanhadas pela Anbima.
A queda mensal dos FIDCs ainda não reflete as novas restrições para créditos judiciais, segundo a Anbima. Questionada pelo UOL, Julia Wellisch, da Anbima, afirmou que ainda é cedo para observar os efeitos da decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional), anunciada no fim de setembro.
"Esse efeito ainda não é sentido aqui", afirmou. Segundo Wellisch, a regra entra em vigor apenas neste mês. A Anbima está discutindo com o Ministério da Fazenda e participantes do mercado os possíveis impactos da medida sobre a indústria.
Fiagros continuam crescendo. Os fundos que direcionam recursos ao agronegócio acumulam entrada líquida de R$ 9,9 bilhões neste ano. O patrimônio se aproxima de R$ 68 bilhões, mais que o dobro do registrado em outubro de 2025.
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