A moça ostenta, orgulhosa, o ícone tecnológico. "Meninas, olhem esta tela! Nem conto! Vocês vão ver as selfies". Olhares reluzem! Celular novo: "show de bola".
Aglutinam-se em torno da maravilha. No jardim próximo, as crianças espalham-se. Escorregador, balanças, gangorras, casa de índio e outros atrativos. Espaço! Pássaros libertos!
Gostam mesmo de chutar bola. Até as meninas. No passado, feudo dos garotos. Leves discussões ocasionais. Rapidamente entendem-se.
As crianças, de fato, fazem-se coadjuvantes. Indispensável, sim, a boa convivência entre as babás. Cada uma exibe o "seu som" no celular. As crianças os identificam!
O Periscópio capta o brilho nos olhos da feliz proprietária. Juntam-se para dissecá-lo. Logo dominarão todas as novas facilidades do mágico aparelho.
Nada lhes escapa. O que uma desconhece, outra, com certeza, saberá.
As crianças aprendem, no brincar, a arte da convivência. Tornam-se menos dependentes. Desenvolvem um conceito, embora embrionário, de liberdade.
Os pais retornam no final do dia. Também mergulharão em seus celulares. Reino dos WhatsApps. Conferem as mensagens deixadas pelas babás!
Felizmente, todas muito comunicativas. Com o celular, prescinde-se da conversa. Nele tudo se registra. Recomendações ou sugestões de babás possuem força. Mandatórias!
Esgotadas as mensagens, o deslizar convencional de telas engana o tempo, implacável algoz da sociedade contemporânea.
Detalhe essencial: especialíssimas as babás adequadas, hábeis em promover harmoniosa sintonia com as crianças! Cumpre, a todo custo, preservá-las!
Para elas, o melhor presente de aniversário: uma versão atualizada do celular! Foi-se o tempo em que se associava "babás" a fraldas e mamadeiras!
José Osmir Fiorelli, sócio emérito da Academia Sorocabana de Letras