As ações da B3 subiram 22,63% e as do BTG Pactual avançaram 22,52% ontem, ficando, respectivamente, na terceira e na quarta posição entre as maiores altas do Ibovespa no pregão após o primeiro turno. Os recibos de ações da XP saltaram 24,43%. A disparada colocou as empresas do setor financeiro em destaque na aposta do mercado em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Hoje, BTG e B3 passam por leve realização de lucros, com os papéis do primeiro caindo, às 15h50, cerca de 3%, a R$ 78,42, e os da B3, 2%, a R$ 22,83. Os BDRs da XP estendem a alta da véspera, avançando 4,48%, a R$ 145,87.
A expectativa, de toda forma, é que uma mudança de governo seja acompanhada por medidas para melhorar as contas públicas, reduzindo a percepção de risco do Brasil e abrindo espaço para juros menores. As análises apontam que esse cenário pode beneficiar principalmente empresas ligadas ao mercado de capitais, como bancos, corretoras e a bolsa.
O que sustenta a aposta
Mercado espera uma melhora das contas públicas. Em relatório assinado por Carlos Sequeira, o BTG incluiu B3 e XP entre suas ações preferidas em um cenário de vitória de Flávio, ao lado de empresas de varejo, construção e outros setores.
Se o candidato de direita Flávio Bolsonaro for eleito, os participantes do mercado esperariam medidas mais decisivas para enfrentar os urgentes desequilíbrios fiscais do país, desencadeando uma alta BTG Pactual
Contas públicas melhores podem reduzir o risco e favorecer as ações. A lógica é que, se os investidores enxergarem menor risco de descontrole da dívida pública, passam a exigir um retorno menor para colocar dinheiro no Brasil. Isso tende a reduzir os juros de longo prazo e aumenta o valor que o mercado atribui aos lucros futuros das empresas.
Foi isso que começou a acontecer após o primeiro turno. O menor risco levou à queda dos juros brasileiros de dez anos, de cerca de 14,4% para 13%, na véspera. Com isso, o JPMorgan passou a considerar as ações brasileiras menos arriscadas e reduziu o retorno exigido para investir na maioria das empresas financeiras que acompanha.
Juros menores também podem levar mais dinheiro para investimentos. Com a renda fixa pagando menos, ações, fundos e outros produtos financeiros tendem a ficar relativamente mais atraentes. Isso pode aumentar a movimentação na Bolsa, favorecer novas ofertas de ações e títulos e gerar mais negócios para corretoras e bancos de investimento.
XP, B3 e BTG estão entre as principais beneficiadas dessa dinâmica. O JPMorgan aumentou suas projeções de lucro por ação para 2027 em cerca de 8% para a XP, 10% para a B3 e 4% para o BTG. Na segunda-feira, o volume negociado no mercado de ações chegou a R$ 103 bilhões, entre três e quatro vezes o nível anterior à eleição.
Cada empresa ganha de uma maneira. Na XP, mais dinheiro migrando para produtos de investimento pode aumentar a receita obtida sobre os recursos dos clientes. A B3 ganha com um volume maior de negociações, sem precisar elevar os custos na mesma proporção. Já o BTG pode se beneficiar de uma retomada de operações como ofertas de ações, emissões de dívida e fusões e aquisições.
Nem todo o setor ganha da mesma forma
Parte do otimismo já entrou nos preços. Depois da disparada das ações, o JPMorgan manteve recomendação positiva para XP e BTG, mas vê mais espaço para a primeira. A B3 continuou com recomendação neutra, apesar da melhora das projeções de lucro. Os analistas também citam riscos relacionados à concorrência e aos impostos a partir de 2028.
Bancos tradicionais têm uma dinâmica diferente. Juros menores podem estimular o crédito e reduzir a inadimplência, mas também pressionam algumas fontes de receita. Além disso, o JPMorgan ainda vê risco de aumento das perdas com empréstimos e reduziu as projeções de lucro para 2027 da maioria dos bancos que acompanha.
Itaú e Bradesco aparecem mais bem posicionados. O Itaú segue entre os preferidos do JPMorgan por combinar rentabilidade elevada e capital disponível para crescer. O Bradesco teve sua recomendação elevada porque, na avaliação dos analistas, boa parte das dificuldades esperadas para os próximos meses já está refletida no preço da ação.
Banco do Brasil mostra que a aposta eleitoral tem limites. Embora o JPMorgan reconheça que investidores podem usar as ações do BB para apostar em uma mudança política, o banco rebaixou sua recomendação para underweight, expectativa de desempenho abaixo da média dos papéis acompanhados.
O problema está principalmente dentro do próprio BB. Os analistas citam a piora do crédito no agronegócio, a queda da rentabilidade e as preocupações com a posição de capital.
Ainda precisa absorver os obstáculos persistentes no agronegócio, e não vemos um fator claro no curto prazo que provoque revisões relevantes para cima nas estimativas de lucro por ação JP Morgan
Até a queda dos juros pode ter dois efeitos para o BB. Taxas menores podem ajudar a reduzir a inadimplência, mas também pressionar a margem financeira. Segundo o JPMorgan, o banco historicamente se beneficia de juros elevados por contar com uma base de depósitos de baixo custo e elevada liquidez.
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