O presidente Lula (PT) precisa "vencer Lula" para conseguir virar o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News - 2ª edição, do Canal UOL.
Após um primeiro turno apertado, a campanha petista passou a discutir mudanças, com planos de reformular a comunicação, trazer aliados para dentro da estratégia e tentar reduzir a abstenção, que passou de 33 milhões de eleitores.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro tem sido bem sucedida porque é a campanha do 'olha, quer tirar o homem, vota em mim. Eu sou a mudança'. Repito: mudança para onde? Quem sabe, pode ser para pior, mas ele está tentando incorporar a ideia de mudança. Uma campanha eleitoral vem em cima de ideias e as pessoas têm que encarná-las.
Lula estava encarnando o quê? Ele não conseguia passar essa ideia. Tanto é que a campanha do Lula, em muito, era uma comparação de biografias. O povão não está interessado na 'turnê de despedida' do presidente Lula. Ele estava querendo saber o que o Lula está oferecendo de diferença. Não é a biografia, não é comparar ele com ele só. Isso é importante, mas não pode ser a base da campanha. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Para Sakamoto, a eleição entrou num terreno em que Flávio Bolsonaro se apresenta como "o anti-Lula", o que ajuda a explicar por que denúncias e acusações não alteram o desempenho do senador na disputa.
De um lado da campanha está o Lula; do outro lado, o 'anti-Lula'. Eles não estão muito preocupados em apresentar propostas, mas em se apresentar como o 'anti-Lula': 'Você quer tirar o cara? Vota em mim'. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Ele disse que o presidente tenta reagir mirando indecisos e a abstenção, mas que o desafio é construir uma ideia clara do que o governo oferece agora, além da comparação com o adversário.
Sakamoto também apontou que o ambiente digital pesa na disputa e avaliou que o PT não consegue mudar esse modelo no ritmo de uma eleição.
A campanha do Lula e o PT acham que basta memória afetiva das pessoas. Não basta. A internet não é ferramenta técnica de transmissão de mensagens.
Ela tem um contexto antropológico de mediação de vida, de construção de valores, de símbolos. Então a comunicação precisa mudar. O problema é que não vai mudar na velocidade de uma eleição. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
A esta altura do campeonato, o presidente Lula fazer um movimento indicando o Alckmin vai ser visto pelo mercado como pouca coisa. Se ele está querendo uma sinalização para o mercado, de uma maneira geral, ele terá que ir um pouco além do que isso. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Eu perguntei se o pessoal do Flávio havia feito algum pedido pra Trump em relação a um eventual endosso público. E o que eles disseram foi 'a gente não pediu pra que ele fizesse uma manifestação de preferência eleitoral como ele fez na Argentina e na Colômbia'. Portanto, foi uma iniciativa do próprio Trump, segundo pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro aqui nos Estados Unidos. Mariana Sanches, colunista do UOL
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