Investidores do Vale do Silício intensificam viagens à China para visitar fábricas de robôs e avaliar a concorrência enfrentada por empresas americanas do setor. A Business Insider informa que grupos de capital de risco querem medir a capacidade chinesa em produção, componentes e coleta de dados.
O que você precisa saber
Ryan Cunningham, fundador da Edgerunner Ventures, planeja levar dez investidores à China em abril. Ele afirma que quer mostrar ao grupo o que os EUA devem aprender com a indústria chinesa de robótica.
As viagens incluem delegações privadas de fundos e roteiros que custam cerca de US$ 10 mil por pessoa. Os programas combinam visitas a fábricas, intérpretes, hospedagem e encontros com executivos locais de tecnologia.
Fundos como Eclipse, G2 Venture Partners e Chemistry VC viajaram à China. Sócios da Founders Fund e da Khosla Ventures também fizeram viagens ao país, informou o The Information.
Neel Mehta, investidor da G2, visitou Shenzhen e Pequim com um colega. "Sabíamos que eles estavam à frente, mas isso só fica claro quando se está lá", disse.
A Doon Insights anunciou para novembro uma missão de estudos sobre robótica de 12 dias na China. O roteiro prevê paradas em Xangai, Changzhou, Shenzhen e Pequim.
Vantagem chinesa em robôs humanoides
As empresas chinesas Unitree e AgiBot enviaram 71% dos robôs humanoides do mundo em 2025. O dado é da consultoria Omdia e ajuda a explicar o interesse dos fundos americanos em conhecer o mercado chinês.
A China reúne 63% das principais empresas da cadeia global de componentes para robôs humanoides. A estimativa é do Mercator Institute for China Studies, centro de pesquisa alemão.
A maior parte dos robôs humanoides americanos ainda está em desenvolvimento e não é vendida pronta para uso. Muitas empresas dependem de fornecedores chineses para componentes ou montagem, aponta o relatório "Emerging Technology Review 2026", da Universidade Stanford.
Wendy Chang, analista do Mercator Institute, diz que a estratégia chinesa prioriza o controle de toda a cadeia produtiva. "Eles estão tentando dominar toda a cadeia de suprimentos de robótica", afirmou.
Charly Mwangi, sócio da Eclipse, destacou a capacidade chinesa de transformar ideias em produtos físicos. Ele contrastou essa estrutura com a abordagem dos EUA, mais voltada ao desenvolvimento de software.
Dados e produção entram na avaliação
Mehta relatou ter visto centenas de trabalhadores operando robôs à distância em uma instalação de coleta de dados. As máquinas executavam tarefas para gerar dados usados no treinamento de sistemas capazes de perceber ambientes e realizar atividades físicas.
Para Mehta, a escala da coleta de dados pode afetar a competição por modelos de inteligência artificial para robôs. "Se você acha que os dados são o principal gargalo da robótica, há um cenário em que eles têm modelos melhores do que qualquer outro", disse.
O governo chinês estabeleceu em 2023 uma meta de usar robôs humanoides em diferentes setores da economia até 2027. O documento comparou o possível impacto da tecnologia ao de computadores, smartphones e veículos elétricos.
Após as visitas, a G2 passou a considerar riscos ligados à China em todos os potenciais investimentos. Mehta diz que o fundo analisa se companhias americanas terão uma vantagem duradoura diante de equivalentes chinesas nos próximos cinco a dez anos.
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