Eleitores enfrentaram longas filas para votar neste domingo (4) pelo país. Em São Paulo, por volta das 13h, a espera chegava a uma hora e 20 minutos na Escola Arthur Guimarães, na Vila Buarque (região central). A demora atingia inclusive eleitores com preferência, e as filas das seções se misturavam nos corredores. Diante do cenário, aqueles com 80 anos ou mais tinham prioridade.
Na PUC-SP, o maior local de votação do Brasil, em Perdizes (zona oeste), alguns aguardavam até uma hora na fila. "Nos outros anos foi mais fácil. Neste, a fila está maior", disse a aposentada Vera Amaral, 79, que chegou ao campus por volta do meio-dia.
Uma das explicações para as filas extensas foi a quantidade de candidatos para votar neste primeiro turno, seis no total: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente.
Na Emef Cassiano Ricardo, na Vila Caraguatá (zona sul), onde o tempo de fila ultrapassava uma hora logo no início da manhã, mesários disseram à reportagem que eleitores faziam no local a cola de papel assim que eram informados da proibição de entrar com o celular na cabine, atrasando a votação.
Em Belo Horizonte, eleitores enfrentaram mais de duas horas para votar na PUC Minas no bairro Coração Eucarístico. No Rio de Janeiro, filas de mais de uma hora foram registradas pela manhã na Escola Municipal Albert Schweitzer, em Laranjeiras, na zona sul.
Falhas no reconhecimento da biometria também contribuíram para a formação de filas. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a leitura biométrica pode ser repetida até quatro vezes. Persistindo a dificuldade, o eleitor deve fornecer dados a serem confrontados com o cadastro eleitoral. Autorizado a votar, ele deve assinar o caderno de votação ou registrar sua impressão digital.
Aqueles que não têm biometria cadastrada podem votar com um documento oficial com foto. Nesses casos o processo também é mais longo, visto que o mesário precisa digitar os dados do eleitor no terminal.
Problemas nas urnas eletrônicas também atrasaram a votação em todo o país. De acordo com o TSE, 1.861 equipamentos (0,34%) tiveram de ser substituídos no primeiro turno.
Em São Paulo, por exemplo, eleitores de uma seção no Colégio Caritas (zona sul) tiveram de esperar mais de uma hora para votar devido a uma urna quebrada. O estado que mais teve trocas foi justamente São Paulo (334), seguido de Rio de Janeiro (226) e Paraná (215). Apesar disso, nenhum local precisou migrar para a votação manual.
O levantamento analisou relatos espontâneos dos eleitores publicados até as 15h45. A análise focou estritamente mensagens em que o eleitor relatou o próprio caso ou fez a descrição da seção eleitoral, sem a intenção de medir intenção de voto.
Boca de urna lidera ocorrências policiais
As forças de segurança registraram 743 ocorrências relacionadas a suspeitas de crime eleitoral entre o sábado (3) e as 18h15 deste domingo, de acordo com balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A boca de urna lidera os registros, com 248 ocorrências. Em seguida aparecem propaganda eleitoral irregular (240 casos), e compra de votos ou corrupção eleitoral (94).
O Rio Grande do Sul concentra o maior número de ocorrências, seguido por Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Bahia e Santa Catarina.
O Relatório Operacional de Segurança - Eleições 2026 reúne dados das forças de segurança mobilizadas para o pleito. O documento também aponta que foram apreendidos R$ 611 mil em dinheiro, 5.557 materiais de campanha, 13 veículos e quatro armas.
Os números referentes à atuação da Polícia Federal são divulgados separadamente. Até as 18h10 deste domingo, a PF havia instaurado 22 inquéritos e lavrado 72 termos circunstanciados para apurar crimes eleitorais no primeiro turno.
Ao todo, 181 pessoas foram levadas para delegacias. Também foram R$ 982,7 mil em bens e valores, dos quais R$ 457,3 mil em dinheiro.
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