O último ato da campanha do presidente Lula (PT), realizado hoje na avenida Paulista, foi marcado por um início de tensão com a Polícia Militar sobre o trajeto da caminhada, mas depois se desenrolou sem problemas.
Quase sem voz, o petista fez um discurso citando as bets, o fim da escala 6x1 e criticando as dificuldades impostas pela Prefeitura de São Paulo para o uso da Paulista para o ato.
O que Lula disse
Lula fez um apelo para que os eleitores mais velhos compareçam às urnas. "Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos", disse. O petista chegou ao ato às 11h26 sob gritos de apoiadores e fez dois discursos ao lado de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo. No primeiro, pediu que os eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, não deixem de votar, reforçando a estratégia da campanha de falar aos aposentados que dependem do salário mínimo para viver.
Presidente enfatizou a necessidade de decidir a eleição no primeiro turno. "Precisamos decidir essa parada amanhã", afirmou. "Estamos a poucas horas de fazer o maior gesto da revolução democrática do país. De um lado está democracia, aqueles que defendem os direitos humanos (...), do outro lado está a barbárie. Eles acabaram com tudo e nós reconstruímos", disse ele ao prometer uma "revolução educacional".
O petista destacou programas sociais, a luta pela manutenção da democracia e da soberania no Brasil, tema que marcou toda a campanha à reeleição. Lula citou escândalos que vieram à tona durante os últimos meses. "É a caminhada que prendeu a quadrilha da previdência social criada por Bolsonaro, é a caminhada que tornou o banqueiro prisioneiro, o Vorcaro, eles estão com muito medo porque cada dia aparece uma coisa nova, só falta aparecer o participante da orgia", disse sem citar nomes.
Candidatas ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) estavam ao lado do presidente no carro. Elas pediram votos aos candidatos da chapa. "Ninguém vai atacar a nossa soberania. De quem é o Brasil? Do povo brasileiro", disse Tebet. O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, também estava no trio e criticou o prefeito Ricardo Nunes (MDB). "Vocês sabem que o nosso sempre vereador Ricardo Nunes tentou impedir essa manifestação, mas essa é uma manifestação da paz, do amor, do respeito".
"A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro", disse Lula durante o ato em que ergueu a bandeira do Brasil e a de São Paulo. Ele, a primeira-dama Janja e Tebet criticaram a tentativa de impedimento do uso da avenida pela Prefeitura de São Paulo. "Vá plantar batata, seu prefeito Ricardo Nunes, amanhã a Paulista é nossa", disse Janja. Tebet também afirmou que houve uma tentativa de impedir um ato político e que "enquanto Lula for presidente existirá democracia".
Pouco antes de encerrar sua participação na caminhada, Lula pegou novamente o microfone para defender o fim da escala 6x1. Ele disse aos apoiadores que o projeto será levado à votação na próxima semana. Lula também reforçou que acabou com as bets e esclareceu que não é contra cartões de crédito, mas que acredita que os bancos só deveriam enviar para a casa das pessoas mediante solicitação.
Início marcado por tensão
Logo nos primeiros minutos, a PM mandou os carros de som para a rua Augusta, para que a avenida Paulista fosse liberada para o tráfego de veículos. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, teve de intervir e discutiu com PMs. A discussão foi acompanhada pela militância petista, aos gritos de "fora, fora" para os policiais militares, além de vaias.
Policiais militares caminharam entre os carros de som e os manifestantes pedindo para que descessem a Paulista. "A Polícia vai ser responsável se alguém se machucar hoje", disseram os participantes do alto do trio. "Não vai descer. Nós temos as imagens da Polícia Militar do estado de São Paulo ameaçando o motorista, tentando impedir", disse um dos militantes no microfone.
Logo após a confusão, os militantes entoaram gritos xingando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Fora, Tarcísio", disseram. Os policiais também foram vaiados pelos participantes. Os agentes chegaram a avançar na direção dos carros preparados para receber Lula e os candidatos da chapa.
Uma mulher de 64 anos foi atropelada enquanto participava do ato da campanha. Ela foi atingida por um motoboy por volta das 10h no cruzamento da Paulista com a rua Augusta. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ela foi socorrida com ferimentos leves na cabeça e levada ao Pronto-Socorro do Hospital Beneficência Portuguesa, onde foi atendida.
TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) autorizou a realização da "Caminhada de Lula com Haddad". Lula participaria do ato ao lado de Haddad, Geraldo Alckmin, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet. A decisão suspendeu os efeitos de uma determinação da prefeitura da capital paulista que havia proibido o ato de campanha seguindo uma determinação judicial para evitar o bloqueio de vias no fim de semana da eleição.
Camisetas à venda, personalidades e clima de festa
Às 10h do sábado, apoiadores do presidente Lula, militantes do PT e o público em geral se reuniram na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, no centro de São Paulo. O encontro foi o último ato de campanha de Lula e Haddad em São Paulo. A equipe petista escolheu a avenida Paulista para encerrar a corrida presidencial.
Manifestantes empunhavam faixas e bandeiras estampadas com imagens do presidente e candidato à reeleição pelo PT. Camisetas com a inscrição "Picanha, cerveja e Lula presidente" foram vendidas à militância por R$ 50. Também foram vistas faixas em apoio à medida presidencial que colocou fim às bets.
Ato reuniu políticos e personalidades. Candidato à reeleição para deputado estadual em São Paulo, Eduardo Suplicy (PT) foi um dos primeiros petistas a chegar ao evento e cumprimentar os eleitores. O presidente do PT, Edinho Silva também foi um dos primeiros a chegar ao ato. "'A expectativa é de crescimento", disse sobre a disputa eleitoral. "O voto útil preocupa mais que a abstenção. Mas a gente pode disputar ele". O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também chegou cedo ao ato.
Licenciado do cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) também compareceu ao ato. O cantor de rap Emicida, que fez uma série de vídeos para as redes sociais em apoio a Lula, e o ator Alexandre Frota estiveram no ato.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.