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Ciência e Espaço Olhar Digital (Tecnologia) há 97 d • 28/07/2026 16:03

Cientistas brasileiros descobrem o que está aquecendo a Antártica

Cientistas brasileiros descobrem o que está aquecendo a Antártica

Quase 80% das ondas de calor registradas no interior da Antártica hoje têm um mesmo responsável: os chamados rios atmosféricos.

Segundo a Agência FAPESP, essas correntes carregam calor e umidade dos trópicos até o continente gelado, acelerando o degelo e aumentando a preocupação com a elevação do nível dos oceanos.

Um corredor invisível leva calor até a Antártica

Embora passem despercebidos, os rios atmosféricos funcionam como enormes corredores de umidade na atmosfera. Eles transportam vapor d’água por milhares de quilômetros e, segundo pesquisadores brasileiros, estão mudando o comportamento climático da Antártica.

O assunto foi apresentado por Heitor Evangelista da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

“Cerca de 90% de toda a umidade transportada dos trópicos para as áreas polares é decorrente da ação dos rios atmosféricos”, afirmou o pesquisador.

As medições feitas pelo laboratório Criosfera 1 mostram que esses eventos ganharam força nas últimas décadas. Antes, estavam associados a cerca de um quarto das ondas de calor observadas na região. Hoje, respondem por quase 80% desses episódios.

O que os cientistas encontraram

Os efeitos já aparecem em locais antes considerados pouco vulneráveis. Em 2022, por exemplo, a estação Concórdia registrou uma temperatura 43 °C acima do esperado para aquele período.

Esse fenômeno de aumento súbito de temperatura nesses níveis nunca tinha sido observado em nenhum registro histórico meteorológico da Antártica. Foi uma coisa absolutamente inédita. Heitor Evangelista da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Esse fenômeno de aumento súbito de temperatura nesses níveis nunca tinha sido observado em nenhum registro histórico meteorológico da Antártica. Foi uma coisa absolutamente inédita.

Outro dado chamou a atenção da equipe: em áreas localizadas na latitude 84 Sul, os termômetros chegaram a marcar -3 °C, muito perto do ponto em que o gelo começa a derreter naquela região.

Geleiras estratégicas preocupam pesquisadores

A atenção também está voltada para as geleiras Thwaites e Pine Island, consideradas fundamentais para manter a estabilidade do gelo continental.

“A perda dessas geleiras frontais pode ser muito crítica para a perda do gelo continental que viria logo depois”, alertou Silva.

Segundo os pesquisadores, apenas o colapso da geleira Thwaites poderia elevar o nível médio dos oceanos em 63 centímetros. Se a Pine Island também perder estabilidade, esse aumento poderá chegar a 1 metro.

Brasil acompanha mudanças em tempo real

Desde 2015, os cientistas observam uma redução acelerada do gelo marinho ao redor da Antártica. Com menos gelo refletindo a radiação solar, o oceano absorve mais calor, alimentando um novo ciclo de aquecimento.

“Essa diminuição de gelo marinho equivale a duas vezes a área da Groenlândia em perda de massa. É uma coisa que não aparece prevista em nenhum modelo numérico”, afirmou Silva.

Para entender melhor essas transformações, o projeto brasileiro continuará ampliando o monitoramento do continente. Além de acompanhar gases de efeito estufa, aerossóis e o acúmulo de neve, a próxima missão também instalará o primeiro telescópio brasileiro na Antártica, reforçando a capacidade de observar mudanças que podem influenciar o clima muito além do continente gelado.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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