A Petrobras comunicou hoje que encontrou um novo intervalo com petróleo no poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas na costa do Amapá.
O que aconteceu
A descoberta ocorreu no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, a uma profundidade de 2.886 metros. A área fica na Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do estado do Amapá.
A operação de perfuração do poço continuou para avaliar intervalos exploratórios ainda mais profundos. A nova presença de óleo foi identificada por meio de perfis elétricos, indícios na rocha e amostras de fluidos coletadas durante os trabalhos.
As análises laboratoriais estão em andamento para detalhar os dados coletados. De acordo com a Petrobras, a análise da primeira descoberta feita na área, que foi divulgada em agosto de 2026, já confirmou a boa qualidade do petróleo encontrado.
A estatal informou que vai concluir as atividades de perfuração no poço. A empresa continuará avaliando as formações identificadas com foco na segurança e no respeito ao meio ambiente.
A nova descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial de recursos na Foz do Amazonas. Os dados obtidos vão ajudar a avaliar os sistemas petrolíferos e a capacidade de produção da região.
A atuação no bloco atende à estratégia de longo prazo da companhia petrolífera. A Petrobras busca recompor suas reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras para garantir o abastecimento de energia do país.
Potencial de exploração na região alimenta projeções de valorização da Petrobras. Reportagem do UOL mostrou que se a estatal confirmar a projeção da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) de que existem 5,7 bilhões de barris recuperáveis (que dá para extrair) só na Foz do Amazonas, as reservas comprovadas de petróleo em todo o Brasil cresceriam 33%, e as da própria Petrobras, até 55%.
Para toda a Margem Equatorial, formada por cinco bacias, a EPE estimou em seu PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035 a existência de 41 bilhões de barris em potencial. Número é superior ao estimado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo), que projeta 30 bilhões de barris.
Os até 6 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas têm valor bruto estimado em R$ 3,8 trilhões. O cálculo, que considera o preço do barril do tipo Brent a US$ 70 e a taxa de câmbio a R$ 5,40, é da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
A descoberta no Amapá pode ser vital porque 80% do petróleo brasileiro hoje vem do Pré-sal. Essa camada exploratória, porém, deverá entrar em declínio no início da década de 2030. "A Petrobras tem outras frentes de atuação que devem aportar uma quantidade razoável de reservas tanto de petróleo quanto de gás, como a Bacia de Pelotas e a Sergipe Águas Profundas", diz Eric Gil Dantas, economista do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais). "Mas não chegam na mesma escala do Pré-sal. Por isso a necessidade da Margem Equatorial para garantir a reposição das reservas."
Para lucrar com a Foz do Amazonas, a Petrobras poderá encontrar até menos petróleo do que o projetado. "Para gerar excedente econômico, os cálculos estimam mais ou menos 390 milhões de barris recuperáveis, o equivalente a dois terços de Liza, o campo que revelou o potencial petrolífero da Guiana", explica o professor Luís Eduardo Duque Dutra, do MBA Executivo em Economia do Petróleo, Gás e Energia da Escola Politécnica da UFRJ.
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