Embora viva redução de vendas e encolhimento no lucro, a Nike ainda tem um papel importante no equilíbrio financeiro da CBF.
A renovação mais recente fez com que a parceria se estendesse até 2038, assegurando pelo menos US$ 1,044 bilhão à entidade no período (R$ 5,45 bilhões, na cotação atual). É o maior contrato da história da entidade.
Fixo: US$ 642 milhões (R$ 3,35 bilhões)
Royalties (mínimo): US$ 240 milhões (R$ 1,25 bilhão)
Bônus: US$ 162 milhões (R$ 920 milhões*)
*Valor recebido antecipadamente em dezembro de 2024
Ainda na vigência do modelo anterior do contrato, a CBF registrou, ao todo, R$ 438 milhões em patrocínios em 2025. Esse montante representa a segunda linha de receita mais significativa da entidade, perdendo só para direitos de transmissão (Copa do Brasil e jogos da seleção).
O salto contábil da renovação com a Nike vai poder ser visto de forma mais efetiva no balanço da CBF de 2027, quando a grana do acordo vai efetivamente ser lançada como receita desse período.
Entre 2027 e 2038, a entidade vai receber US$ 87 milhões (R$ 454 milhões) por ano, no mínimo, considerando valores fixos do contrato, mínimo de royalties e a fatia do bônus paga pela fornecedora americana de material esportivo.
Em relação à parte fixa, os pagamentos a partir de 2027 serão trimestrais, em parcelas de US$ 13,3 milhões. Isso vai dar US$ 53,5 milhões por ano até 2038.
Quando Nike e CBF renovaram contrato, a bolada deu até certa tranquilidade ao então presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, de considerar dispensável uma busca por novos parceiros comerciais.
A gestão que o sucedeu pensa diferente. A Nike ganhou mais companhia no backdrop da seleção — divide o espaço com mais 12 marcas —, mas segue na prateleira mais alta.
De todo modo, ainda que signifique injeção de dinheiro a (muito) longo prazo, a relação recente traz algumas questões que a empresa precisou contornar junto à CBF.
Logo na transição de Ednaldo para Samir Xaud na cadeira de presidente, veio a operação para sepultar de vez a ideia de fazer uma camisa com tons predominantemente vermelhos para a Copa 2026.
Ela iria substituir o modelo azul, que ganhou sobrevida e apareceu na coleção atual dividindo espaço com traços pretos no uniforme alternativo da seleção.
Mas no próprio conjunto da camisa amarela, o uniforme principal do Brasil, veio mais uma enxurrada de críticas às ideias da Nike. "Vai, Brasa" foi a inscrição que deu polêmica. Ela aparecia na parte interna das costas do uniforme e também eu um meião. A CBF falou para a Nike tirar.
Apesar dos contratempos de imagem da parte da Nike, a seleção brasileira também não anda lá essas coisas em termos de resultado, a ponto de catapultar a exposição da Nike mundialmente.
O time de Carlo Ancelotti caiu nas oitavas de final da Copa do Mundo, frente à Noruega. As duas seleções vestem Nike.
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