O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado após uma tentativa de execução por injeção letal não resultar na morte da condenada Christa Pike.
Entenda a decisão
Bill Lee determinou a suspensão das execuções até pelo menos o fim do ano e ordenou uma investigação independente sobre o caso. Em comunicado divulgado hoje, o republicano afirmou que cumprir uma sentença é uma das responsabilidades mais sérias do Estado e cobrou um processo que seja legal, constitucional e também funcione.
Testemunhas relataram que Pike continuava viva cerca de 40 minutos depois de receber duas doses do sedativo pentobarbital. Jornalistas que acompanharam o procedimento em Nashville disseram que ela estava acordada e roncava alto quando foram retirados da câmara de execução.
Departamento de Correção do Tennessee informou que Pike foi levada a uma unidade médica fora do presídio. A condição de saúde dela não havia sido divulgada até a tarde de hoje.
Advogados de Pike pediram uma interrupção emergencial da execução após a segunda dose do medicamento. Eles alegaram que a cliente estava em "agonia desnecessária" e que o Estado violava o direito de não ser submetida a punição cruel e incomum.
Porta-voz do sistema prisional defendeu que o protocolo foi seguido. Em nota, Dorinda Carter disse que o Departamento de Correção cumpriu todas as etapas do procedimento aprovado pelo gabinete do procurador-geral do estado e que o protocolo não prevê medidas adicionais além das adotadas.
O que se sabe sobre o protocolo e a investigação
O protocolo de execução do Tennessee prevê um segundo conjunto de seringas caso o preso não morra após a primeira aplicação. Segundo a Associated Press, o documento não detalha o que deve ocorrer se a pessoa continuar viva depois da segunda aplicação.
Diretora do Death Penalty Information Center classificou o episódio como incomum. Robin Maher disse à Associated Press que o grupo tem registro de casos em que equipes falharam ao acessar uma veia, mas não de alguém que tenha permanecido vivo após receber os medicamentos usados em execuções.
Em maio, o estado já havia interrompido outra execução por dificuldades na punção venosa. Autoridades cancelaram a injeção letal de Tony Carruthers depois de mais de uma hora tentando colocar uma linha intravenosa no braço dele.
Quem é Christa Pike e o que muda no calendário de execuções
Christa Pike, de 50 anos, foi condenada à morte pelo assassinato de uma colega adolescente em 1994. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
A tentativa de execução só ocorreu após intervenção da Suprema Corte dos EUA, que derrubou uma suspensão determinada por uma corte federal. A paralisação havia sido concedida para avaliar se alegações de abuso sexual na infância foram consideradas na sentença de 1996, de acordo com o relato.
Em pedido de clemência, Pike disse que tinha transtornos mentais quando cometeu o crime. "Eu era uma criança de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos para perceber a gravidade do que eu tinha feito", afirmou no documento, que foi negado por Lee e pela Suprema Corte dos EUA.
A suspensão determinada por Lee também atinge a única outra execução prevista no estado em 2026. Gary Wayne Sutton, no corredor da morte desde 1996 por matar um amigo, estava programado para ser executado em 3 de dezembro.
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