Integrantes ligados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) preveem uma disputa entre uma ala mais técnica e o grupo ligado a Eduardo Bolsonaro (PL) pelo comando do Itamaraty em um eventual governo, informou o colunista Mano Ferreira no Pulso Político, do Canal UOL.
A apuração foi apresentada após a circulação de um vídeo em que Eduardo Bolsonaro ameaça servidores do Itamaraty que, segundo ele, teriam ajudado a "sabotar" o governo de Jair Bolsonaro (PL). Para Mano, o episódio expõe a divisão na estratégia da campanha.
Há uma clara divisão na estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro entre aquela ala que busca reproduzir essa narrativa de uma versão do Bolsonaro vacinado, tenta conduzir uma imagem de Flávio Bolsonaro como técnico, enquanto existe uma outra ala muito mais ligada ao seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que é essa ala absolutamente louca, radical, de extrema direita, sem qualquer tipo de filtro, como vimos nesses vídeos chocantes desses personagens que são muito conectados ao irmão de Flávio Bolsonaro. Eu conversei mais cedo com integrantes ligados à campanha de Flávio que preveem que, em caso de sua eleição, teríamos uma disputa sobre o comando do Itamaraty.Mano Ferreira
Segundo Mano, o embate apareceria já na escolha do chanceler e na linha que guiaria a política externa. De um lado, uma ala ligada ao senador Rogério Marinho (PL) defende um perfil mais técnico e pragmático.
De um lado, uma ala mais técnica ligada ao senador Rogério Marinho defende desde já o nome do economista Marcos Troyjo como possível chanceler. Troyjo é um economista, foi presidente do Banco dos BRICS e teria uma linha mais técnica, mais pragmática na política comercial do Itamaraty.Mano Ferreira
Do outro lado, Mano afirmou que o grupo ligado a Eduardo Bolsonaro buscaria imprimir uma orientação ideológica e promover uma "devassa" no ministério, abrindo espaço para uma disputa entre as duas alas.
E do outro lado tem essa ala dominada por Eduardo Bolsonaro que promete fazer uma devassa e instituir uma linha absolutamente ideológica de extrema direita à frente da política externa brasileira. Esse tipo de embate certamente terá um espaço de duelo dentro de um eventual governo Flávio Bolsonaro.Mano Ferreira
O jornalista disse ainda que o grupo ligado a Eduardo buscaria influenciar um eventual governo por meio da mobilização nas redes sociais, exercendo pressão sobre as áreas técnicas.
Será uma estratégia de buscar influenciar o governo do próprio irmão a partir desse enquadramento virtual ultra radicalizado, gerando pressão sobre o funcionamento das alas técnicas que eventualmente tiverem espaço dentro do governo.Mano Ferreira
Ele completou que esse tipo de intimidação, na avaliação dele, remete ao que ocorreu no governo Jair Bolsonaro e poderia voltar a ter "atividade intensa" em um eventual governo de Flávio, com protagonismo do irmão.
O Pulso Político vai ao ar de segunda a sexta, das 12h30 às 14h30, com apresentação de Daniela Lima.
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