As táticas de ameaça e intimidação da "Turma" de Daniel Vorcaro, comandada por Luiz Philipi Mourão, conhecido pelo apelido de Sicário, incluíam até mesmo forjar a internação de um adversário em clínica psiquiátrica. Mourão faleceu em março, dias após ser preso, depois de atentar contra a própria vida, segundo a Polícia.
A internação foi a solução apresentada por Mourão a Vorcaro em outubro de 2024 para tentar calar Antônio Augusto Conte, empresário que trabalhou na estruturação do projeto do hotel Golden Tulip em 2011 — primeiro negócio de Vorcaro com parceiros em São Paulo e que consistia na reforma de um prédio no centro de Belo Horizonte. Vorcaro depois se tornou sócio de Antônio e seu irmão Vicente na Zion Capital, antes de comprar o banco Máxima (antigo nome do Master). Vorcaro e os irmãos Conte eram muito próximos. Mas, no processo de compra do banco, Antônio se desentendeu com Daniel e Vicente e os três quase saíram no braço.
Os irmãos Conte aparecem na primeira reportagem publicada pela revista Piauí sobre o Master, em 1 de outubro de 2024 — duas semanas antes das conversas entre Mourão e Vorcaro reproduzidas nos autos da investigação do caso Master.
A reportagem "Alta Tensão", assinada pela jornalista Consuelo Dieguez, tornou público desconfianças que corriam soltas na Faria Lima, sobre investimentos pouco ortodoxos do banco. Vorcaro atribuiu à Antonio Conte a origem das informações. Em outras conversas reveladas pelo SBT News, Mourão e Vorcaram combinam ataques ao próprio site da revista Piauí, para tentar tirar a reportagem do ar.
Na conversa, Mourão pede ao Vorcaro que envie matérias positivas e negativas para que ele possa mandar publicar em veículos parceiros e diz que serão publicadas uma por mês: "é só mandar". Vorcaro responde que a primeira negativa "é desse debil mental do antonio conte que contratou jornalista pra publicar coisa falsa. Drogado e louco, nunca passou nem perto do banco".
Felipe Mourão depois encaminha um arquivo recebido contendo uma notícia desfavorável a Antônio Augusto Conte e um recado do autor do texto perguntando se gostaria de fazer alguma alteração. "Acrescenta e encaminha que vai sair no DCM essa matéria dele e vamos replicá-la em todos os meios. Vorcaro responde: "Não solta nada sem me falar. Nao pode ser assim. Deixa que vou produzir um material".
Cinco dias depois, no dia 19 de outubro, Conte volta a ser tema de conversa entre os dois: "Sobre o conti, eu consegui um negócio para resolver mas preciso do seu ok. Quer que mande interna-lo??", pergunta Mourão. "Estou com um dono de uma clínica psi. E clínica de reabilitação. E conseguimos interna-lo com ordem judicial. Só vc (dar ok)".
O relatório da PF diz que não há registro de resposta de Vorcaro à proposta de internação.
Nesta mesma época, contudo, Conte diz que a sua própria família, que ficou do lado do irmão na briga, começou a ameacá-lo falando que iriam entrar com ação judicial para interná-lo. Ele diz que acionou seus advogados e conseguiu conter as tratativas.
Em anos de briga com Vorcaro, Conte diz que já foi vitma de uma tentativa de envenenamento. Ele também teve uma passagem aérea só de ida para o exterior emitida em seu nome, mas sem o seu conhecimento, num momento em que está com uma empresa em processo de falência e não pode deixar o país sem comunicação prévia à Justiça.
A coluna procurou a defesa de Vorcaro, mas não obteve resposta.
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