O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou em entrevista à Fox News nesta quinta-feira (1º) que o copiloto que atacou o comandante do voo FZ1073 da Flydubai, que se dirigia de Dubai a Tel Aviv, passou por um processo de radicalização islâmica.
"Sabemos que ele passou por uma doutrinação islâmica radical", disse, acrescentando que ainda não é possível tirar "conclusões definitivas" sobre as motivações do incidente. Ele disse ainda que não é possível determinar se o copiloto tinha ligações com o Irã.
"Vamos chegar à raiz disso —descobrir quem é esse agressor, se ele tinha cúmplices, se o Irã estava por trás disso. Acho que vamos descobrir muito em breve", afirmou.
O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos anunciou nesta quinta a abertura de uma investigação sobre o incidente. "Vamos acompanhar e possivelmente também participar dessa investigação", acrescentou Netanyahu.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, pediu a extradição do copiloto. As autoridades judiciais dos Emirados Árabes Unidos têm jurisdição sobre o incidente porque a aeronave está registrada no país e opera sob sua bandeira, segundo o comunicado. A legislação dos Emirados se aplica a crimes cometidos a bordo, mesmo quando ocorrem fora do território do país.
A agência WAM afirmou que a investigação determinará se o episódio está vinculado a alguma atividade ou tentativa terrorista. O copiloto do avião esfaqueou na quarta-feira (30) o comandante, em um episódio que autoridades israelenses disseram aparentar ser uma tentativa de derrubar a aeronave com mais de 170 pessoas a bordo.
O comandante ferido conseguiu destrancar a porta da cabine, permitindo que passageiros dominassem o agressor e que uma tripulação reserva que estava a bordo pousasse o avião na Arábia Saudita. A companhia aérea Flydubai informou que os 174 passageiros, incluindo 166 israelenses, estavam a salvo.
Ministros extremistas do governo Netanyahu disseram na quarta-feira que as informações preliminares de Israel indicavam que o copiloto pretendia derrubar o avião, descrevendo-o como um terrorista. A Flydubai informou na quarta-feira que as causas subjacentes do episódio continuavam desconhecidas e pediu que se evitassem "especulações prematuras".
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O incidente aumentou as preocupações com a segurança em Israel semanas antes de os israelenses votarem na primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1.200 mortos e foram o gatilho para a reação de Israel na Faixa de Gaza, onde mais de 73 mil palestinos foram mortos.
Netanyahu, que antes dos ataques do Hamas sofria forte pressão popular em meio a uma tentativa de reformar o Judiciário criticada por retirar freios e contrapesos, aposta no debate sobre a segurança do país e na reação dura ao Hamas, ao Hezbollah libanês e à guerra contra o Irã, iniciada ao lado dos EUA.
O premiê israelense e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, elogiaram o comandante do voo FZ1073, o indiano Smit Machchhar, como um herói. A embaixada da Índia nos Emirados Árabes afirmou nesta quinta que o comandante está bem de saúde e se recuperando. O embaixador indiano no país visitou Machchhar no hospital, segundo o comunicado.
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