Uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, nos EUA, foi suspensa depois que a condenada Christa Pike sobreviveu a duas doses do medicamento, afirmaram advogados dela a jornalistas americanos.
O que aconteceu
Advogados de Pike disseram que o Estado aplicou duas seringas de pentobarbital, mas ela não perdeu a consciência. De acordo com as petições emergenciais apresentadas pela defesa, ela ainda tinha batimentos cardíacos e chegou a roncar de forma audível.
Autoridades interromperam o procedimento e levaram Pike para receber atendimento médico em um hospital próximo. O governo do Tennessee confirmou a um juiz federal que ela estava sob cuidados, mas, até a noite de ontem não havia detalhes públicos sobre seu estado de saúde.
Testemunhas relataram que Pike parecia relativamente alerta em parte do tempo e chegou a cantar com um conselheiro espiritual. "Vou deixar este mundo do jeito que passei a maior parte da minha vida. E isso é com amor", disse ela, segundo jornalistas que acompanharam a tentativa.
Repórteres que serviram como testemunhas disseram que ela reclamou de uma sensação de queimação no braço durante a aplicação. Depois disso, as cortinas que separam a câmara de execução da sala de testemunhas foram fechadas e reabertas algumas vezes, até que permaneceram fechadas por quase uma hora, com relato de respiração e ronco constantes.
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que seguiu o protocolo de execução aprovado pelo gabinete do procurador-geral do Estado. Em nota, o órgão disse que "havia seguido cada etapa do protocolo de execução legal e estabelecido do Estado, aprovado pelo gabinete do procurador-geral".
O órgão também sustentou que o método costuma funcionar. "O produto químico de injeção letal previsto no protocolo tem sido consistentemente eficaz", afirmou o Departamento de Correção do Tennessee.
O episódio foi a segunda tentativa de execução mal sucedida no Estado neste ano, de acordo com o The New York Times. Em maio, uma execução foi cancelada porque a equipe médica não conseguiu encontrar uma veia para administrar o medicamento.
Para uma organização que acompanha o tema, o caso não tem paralelo recente. "Este evento é o pior que vimos e diferente de qualquer outra execução malsucedida na era moderna. Não há precedente", disse Robin Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center.
A defesa já tinha alegado que o procedimento poderia ser torturante por causa de veias pequenas e outras condições médicas. Após a suspensão, os advogados afirmaram: "Não temos prazer em estar certos, mas as preocupações levantadas pela sra. Pike se mostraram verdadeiras".
Disputa judicial atrasou a execução
A execução foi atrasada por cerca de nove horas após decisões judiciais conflitantes ao longo do dia. Segundo o The New York Times, o Estado tentou concluir o procedimento antes do fim do dia para evitar reagendamento.
A Suprema Corte dos EUA liberou a execução horas antes, revertendo uma suspensão determinada por uma instância inferior. Três ministras da ala liberal discordaram da decisão, e Sonia Sotomayor escreveu que a maioria "desnecessariamente impede" o tribunal de apelações de analisar o argumento da defesa.
Na divergência, Sotomayor criticou a pressa do Estado diante do risco de erro. "Não vejo razão para encurtar o processo normal de revisão em apelação, especialmente à luz das graves consequências de uma decisão equivocada", escreveu a ministra.
Condenada pelo assassinato de uma colega em 1995, Pike, hoje com 50 anos, seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. O crime ocorreu quando ela tinha 18 anos, com participação do então namorado e de um amigo, segundo a reportagem.
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