A DLSP (Dívida Líquida do Setor Público) aumentou para R$ 9,24 trilhões, o equivalente a 69,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, mostram dados divulgados hoje pelo BC (Banco Central).
O que aconteceu
Dívida Líquida do Setor Público permanece em expansão. O resultado de agosto representa um aumento de 0,83% da DLSP em comparação com o mês de julho (R$ 9,16 trilhões). Em um ano, o endividamento líquido do governo cresceu 15,6%, de R$ 7,97 trilhões para R$ 9,24 trilhões.
No acumulado deste ano, a dívida líquida aumentou 3,46%. O avanço ante o saldo de R$ 8,898 trilhões registrado em dezembro de 2025 também foi puxado pelos juros nominais, que avançaram 5,8 pontos percentuais, e pelo saldo negativo primário acumulado (+0,7 ponto percentual).
Desempenho líquido passa a corresponder a 69,3% do PIB. O percentual da dívida líquida sobre a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no Brasil é 0,2 ponto percentual superior ao registrado em julho (69,1%). Em dezembro do ano passado, a dívida líquida era equivalente a 67,9% do PIB.
DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) também cresceu. O indicador que analisa a dívida acumulada do governo federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), estados e municípios totalizou R$ 11,1 trilhões em agosto. O valor representa 82,9% do PIB, aumento de 0,3 ponto percentual em relação a julho.
O que fez a dívida subir
Alta do endividamento do governo foi motivada pelo pagamento de juros. Os dados do BC mostram que o governo arcou com 0,8% do PIB (R$ 105,9 bilhões) para o pagamento dos juros. O impacto reflete o efeito da política monetária contracionista, com a taxa Selic em 13,75% ao ano mesmo após cinco reduções consecutivas.
Déficit primário também contribuiu para deteriorar as contas públicas. O saldo negativo das contas do governo, originado por despesas maiores do que as receitas, alcançou R$ 10 bilhões em agosto, o que inibe o pagamento dos juros e o controle da dívida.
Câmbio e outras pressões fiscais oscilaram ao longo do mês e do ano. Em agosto, a desvalorização cambial de 2,1% aliviou a dívida líquida em 0,2 ponto percentual (R$ 27,3 bilhões), mas a valorização acumulada no ano gerou pressão de 0,6 ponto percentual.
Déficit primário
Setor público consolidado teve um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto. O valor representa uma queda no rombo em comparação a agosto de 2025, quando o resultado negativo foi de R$ 17,3 bilhões. No acumulado de 12 meses, o saldo negativo primário atingiu R$ 82,1 bilhões, o equivalente a 0,62% do PIB.
Governo federal puxou o resultado negativo registrado no mês passado. As contas da União registraram um déficit de R$ 14,7 bilhões, enquanto os governos estaduais e municipais e as empresas estatais tiveram saldos positivos de R$ 2,7 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente.
Gasto com juros da dívida pública somou R$ 105,9 bilhões em agosto. O valor subiu expressivamente em comparação com agosto de 2025, quando o custo com juros foi de R$ 74,3 bilhões. Com as variações, o rombo total do setor público, que inclui o saldo primário e as despesas com juros, chegou a R$ 115,9 bilhões e acumula uma perda de R$ 1,26 trilhão em 12 meses, o equivalente a 9,48% do PIB.
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