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UOL Economia há 28 d • Qua, 30 Set 2026 09:07:44 -0300

Dólar acentua queda e Bolsa sabe quase 2% em última sessão do mês

Dólar acentua queda e Bolsa sabe quase 2% em última sessão do mês

O dólar recua ante o real nesta última sessão de setembro, cotado a R$ 5,17, em dia influenciado por indicadores da dívida pública, divulgados pelo Banco Central no Brasil, e por inflação e PIB (Produto Interno Bruto) americano, no exterior. Na Bolsa brasileira, o índice de ações Ibovespa sobe e encaminha o ganho mensal.

O que aconteceu

Dólar opera em queda nesta quarta-feira. A moeda americana era cotada no comercial para venda a R$ 5,170 às 15h57, variação de menos 0,93% ante fechamento de ontem, quando a divisa recuou 0,16%.

Formação da Ptax influencia mercado de câmbio hoje. Essa taxa do dólar é uma referência diária calculada pelo Banco Central, a partir de janelas de 10 minutos às 10h, 11h, 12h e 13h que acontece todos os dias. Hoje, entretanto, o valor de fim de mês mais utilizado em contratos de derivativos e contratos futuros. Por isso, investidores e operadores do mercado financeiro disputam a formação da Ptax por uma posição mais vantajosa em relação ao seu posicionamento e portfólio.

Isso acaba gerando maior volume de operações nas janelas mencionadas, mais volatilidade e, muitas vezes, distorcendo os movimentos do real. Leonel Oliveira Mattos, economista a analista de mercados na StoneX

Moeda americana volta a patamar de abertura deste mês. O dólar abriu setembro a R$ 5,18 e oscilou entre mínima de R$ 5,09 e máxima de R$ 5,23. A flutuação foi influenciada pelo aumento dos juros nos Estados Unidos e alta do preço do petróleo, no exterior, e corte da taxa básica Selic e apostas na corrida presidencial, no Brasil.

Dólar subiu ante o real em quatro meses, mas teve quatro quedas mensais. Considerando a Ptax, usada para liquidação de contratos, a moeda dos Estados Unidos caiu ante a moeda brasileira em janeiro (-5%), fevereiro (-1,5%), abril (-4,4%) e julho (-1,9%); subindo em março (+1,4%), maio (+1,4%), junho (+2,4%) e agosto (+2,05%).

Bolsa brasileira tem pregão positivo nessa última sessão de setembro. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 subia 1,77% às 15h58, marcando 187.072 pontos.

O Ibovespa chega ao último pregão de setembro acumulando alta firme, em um período marcado por mudanças importantes na percepção dos investidores sobre juros, inflação e risco. Parte desse desempenho veio da continuidade do ciclo de redução da Selic, que favorece principalmente empresas mais sensíveis à atividade doméstica, enquanto o cenário externo e as commodities produziram movimentos importantes ao longo do mês. Gustavo Assis, CEO da Asset

Ibovespa vem de variações positivas em três meses no ano, mas perdas em cinco. Os ganhos ocorreram em janeiro (+12,6%), fevereiro (+4,1%) e julho (+3,5%); as quedas foram registradas em março (-0,7%), abril (-0,1%), maio (-7,2%), junho (-1%) e agosto (-0,33%).

Petróleo, PIB dos EUA e dívida brasileira

Investidores monitoram hoje preço do petróleo. A valorização do barril neste mês reacendeu preocupações com a inflação global, que levou bancos centrais e subir juros nos Estados Unidos e Europa. O contrato futuro com entrega em dezembro para o Brent, referência internacional para o combustível, subia 2,9%, para US$ 98,94 às 13h30. A cotação voltou a ficar abaixo de US$ 100, mas incertezas em relação aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio mantêm no cenário a aversão a risco, que emperra ganhos nas Bolsas internacionais.

A retomada das exportações sauditas e a busca por rotas alternativas reduziram parte dos temores relacionados ao fechamento do Estreito de Hormuz, embora as negociações entre Estados Unidos e Irã continuem sem avanço significativo. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora

PIB anualizado dos Estados Unidos cresceu 2,2% no segundo trimestre. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pela FactSet, que projetavam alta anualizada de 1,5%.

Principal índice de inflação usado pelo Federal Reserve para a política monetária avançou 0,3% em agosto ante julho. Na comparação anual, o PCE subiu 3,4% em agosto, ante projeção de avanço de 3,7%. Meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central Americano, é de 2% ao ano.

Os dados de hoje reforçam um cenário em que a economia americana continua mostrando força e o mercado de trabalho permanece capaz de gerar empregos, enquanto a inflação segue como um desafio, mas veio mais branda do que o mercado esperava. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

No ambiente doméstico, investidores reagem à atualização de indicadores da dívida pública. A dívida líquida do setor público sobe para R$ 9,24 trilhões, 69,3% do PIB, ou 0,2 ponto percentual superior ao registrado em julho (69,1%).

A trajetória fiscal continua sendo um dos principais pontos de atenção. Mesmo com a Selic em queda, uma percepção de deterioração das contas públicas pode manter os juros de longo prazo elevados. Esse descasamento é importante para a Bolsa porque muitas empresas dependem mais do custo de capital de médio e longo prazo do que propriamente da Selic corrente. Se a curva longa de juros permanecer pressionada, parte do efeito positivo dos cortes de juros sobre as ações acaba sendo limitada. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset

Raízen convoca acionistas para aprovar nova classe de ações. Segundo a companhia, a nova classe de ações participará em igualdade de condições na distribuição de dividendos, juros sobre capital próprio e demais proventos. A principal diferença é que os novos papéis terão direito de voto restrito em determinadas matérias específicas previstas no plano de recuperação extrajudicial da empresa. Cotadas abaixo de R$ 1,00, as ações PN (preferenciais) da Raízen tem oscilado ao redor de R$ 0,30.

Tenda aprova recompra de até 5 milhões de ações ordinárias na Bolsa. Considerando o fechamento de ontem, recompra movimentaria cerca de R$ 136,7 milhões. Papéis fecharam sessão cotados a R$ 27,33. Empresa diz que medida busca gerenciar melhor os recursos e aumentar o valor para os acionistas.

J&F levanta US$ 1,32 bilhão com bancos para alongar perfil da dívida. O objetivo da operação é alongar o perfil da dívida, e não aumentar o endividamento, segundo a empresa. O empréstimo tem taxa de juros inicial correspondente à SOFR mais 2,60% ao ano e prazo final de cinco anos, após um período de carência de três anos. Os BDRs, recibos de ações da JBS, recuaram 1,7% ontem, a R$ 59,25.

GPA recebe licença para criar corretora de seguros. GPA 2 Corretora de Seguros, da dona do Pão de Açúcar, obteve autorização da Susep (Superintendência de Seguros Privados) para operar em todo o território nacional. Empresa atuará em parceria com a Willis Corretores de Seguros para gerenciar apólices e coberturas contra danos e sinistros da própria empresa e de suas afiliadas. As ações da companhia subiram 3,1% ontem, a R$ 3,00.

Azul fecha crédito de R$ 2,66 bilhões com BNDES. Os recursos serão usados para reforçar o caixa da companhia aérea, que já recebeu a primeira metade dos valores.

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