A eliminação do Brasil na Copa do Mundo ainda rende assunto no vestiário do Manchester City. Novidade no grupo de Carlo Ancelotti e titular em sua estreia pela seleção brasileira contra a Austrália, o zagueiro Vitor Reis revelou, em entrevista ao UOL, uma brincadeira de Erling Haaland, seu companheiro no clube inglês, sobre a queda brasileira no Mundial.
"Tem uma resenha. Desde o primeiro dia que eu cheguei, ele fez uma brincadeirinha de que os brasileiros estão com raiva dele. Mas acho que é isso, cada um brigando pela sua camisa, pela sua seleção", contou Vitor.
"Haaland é um cara que é muito bom, não tem o que falar. Infelizmente, tirou o Brasil da Copa, mas futebol é jogado. É um cara muito forte. Você precisa ter inteligência, mas é muito complicado de marcar também."
A convivência diária, porém, permite que o zagueiro conheça alguns dos movimentos do norueguês. Questionado se treinar com Haaland poderia representar alguma vantagem em um eventual novo encontro entre Brasil e Noruega, Vitor respondeu que sim, mas fez uma ressalva.
"Podemos dizer que sim. Mas é um jogador que você sabe o que ele vai fazer e, mesmo assim, se ele for 100%, pode ser que você não chegue, porque é um jogador que tem muita qualidade, uma força incrível", contou.
"Pode ser que tenha vantagem, mas jogadores como ele, Raphinha, Mbappé, Vini... você não pode desligar um momento. Você pode saber o que ele vai fazer e não chegar. Vantagem a gente tem, sabe de algumas coisas que ele gosta de fazer, mas é um jogador que tem muita qualidade."
O zagueiro revelou ainda outra conversa envolvendo outro zagueiro da seleção. Segundo Vitor, o próprio Haaland reconhece a dificuldade que encontra quando enfrenta Gabriel Magalhães, zagueiro do Arsenal.
"O Gabriel Magalhães joga sempre contra ele, e o próprio Haaland fala que o Gabriel é muito difícil de passar. Futebol é assim: um dia você vai bem, no outro dia não vai tão bem", acrescentou.
De volta ao Manchester City
Aos 20 anos, Vitor Reis tenta agora escrever um novo capítulo no mesmo Manchester City em que divide o dia a dia com Haaland. O brasileiro está novamente no clube inglês depois de passar a última temporada emprestado ao Girona, da Espanha.
"Eu acho que foi uma mudança muito grande. Sair do Brasil com 22 jogos para um campeonato como a Premier League é uma diferença muito grande. Tanto o país é diferente quanto a convivência. Mas acho que uma hora isso ia chegar."
"Não foi fácil. Passei seis meses, não consegui jogar muito, mas pude ir para o Girona, onde consegui jogar, e isso me fez me tornar um jogador melhor, ter mais minutos. Então, acho que foi muito importante."
"Não foi um choque. Foi uma questão de entender o meu momento, entender que eu precisava jogar na Europa e que precisaria passar por isso para voltar ao City e conseguir ter mais minutos. Foi uma decisão minha com o City."
Do ídolo Marquinhos ao sonho de ser capitão
A volta ao Manchester City coincide com outro passo importante na carreira do zagueiro. Vitor fez contra a Austrália sua estreia pela seleção brasileira principal e já começou como titular de Carlo Ancelotti.
E havia um significado especial no jogador que estava ao seu lado na defesa: Marquinhos.
"O Marquinhos, eu sempre disse que era o meu ídolo. Cresci assistindo e foi muito gratificante estrear ao lado dele na seleção. Ele deixa a gente muito tranquilo. A gente conversou durante a semana e vem conversando sempre. Tenho muito respeito e admiração por ele, e ele me ajudou muito na estreia", disse Vitor.
A braçadeira também não é algo estranho na trajetória de Vitor. Antes de chegar ao profissional, o defensor foi capitão nas categorias de base do Palmeiras e também carregou a faixa defendendo o Brasil.
Agora, mesmo no começo da trajetória pela Seleção principal, admite que repetir isso no time principal está entre seus sonhos.
"Eu tenho esse DNA de ser capitão. Na base, no Palmeiras, também fui capitão. Sendo zagueiro, a gente vê o jogo de frente, tenta ter uma comunicação maior. Ser o capitão seria uma realização", afirmou.
"É meu sonho top 1, participar de uma Copa com a seleção. Estou trabalhando muito para, quando chegar, ter essa oportunidade. Penso no dia de hoje, penso no próximo jogo."
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