A NFL desembarca no Maracanã para o primeiro jogo no Rio de Janeiro após duas edições em São Paulo. A estratégia da liga para o Brasil, no entanto, extrapola uma rivalidade entre cidades que ganhou ingredientes nos últimos anos.
Os executivos da liga batem no ponto de que o foco é nacionalizar a marca do futebol americano, embora o pontapé inicial tenha sido dado nas duas principais capitais do país.
A liga assinou um contrato de cinco anos com o Rio, com o compromisso de realizar ao menos três partidas ao longo deste período. Os dois primeiros jogos da NFL no país foram em solo paulista, na Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
Vamos mostrar o Maracanã, o Rio de Janeiro, e a nossa capacidade de sediar eventos. Eles pediram para não provocar São Paulo, mas é irresistível. Como todo respeito a Itaquera, mas ter um jogo da NFL no Maracanã era tudo que Roger Goodell [presidente da NFL] sonhavaEduardo Cavaliere, prefeito do Rio
A 'briga' Rio-São Paulo
Rio de Janeiro e São Paulo tiveram recentes embates por eventos de grande porte, e não apenas no cenário esportivo.
Em janeiro do ano passado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) indicou Rio/Niterói como candidata aos Jogos Pan-Americanos de 2031. São Paulo, que havia indicado o desejo de sediar o evento, desistiu dias antes, justificando que a decisão foi em comum acordo levando "como base a relevante infraestrutura disponível das duas cidades".
Posteriormente, Assunção venceu a eleição para sediar o torneio. Em pleito da Panam, realizado em outubro, foram 28 votos para a cidade paraguaia contra 24 para as brasileiras.
Em novembro, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, revelou um papo com a direção da Fórmula 1 e indicou a intenção de ampliar a parceria para além de 2030, quando vence o atual contrato. "O Stefano [Domenicali, CEO da F1] falou que tem muito interesse da Fórmula 1 de permanecer aqui. Então, se existe essa conjugação de interesse, vamos fazer. Vamos continuar investindo, tornando esse espaço cada vez melhor. A tendência é fazer a extensão do nosso contrato", disse, na ocasião.
Naquela mesma semana, Eduardo Paes, então prefeito do Rio, tinha anunciado o projeto do novo Autódromo do Rio e não escondeu o desejo de contar com a principal modalidade do automobilismo mundial na Cidade Maravilhosa. "Como sou sempre uma pessoa zelosa com os prazos, eu imagino que em 2029 a gente vá ter esse autódromo pronto. E agora o desafio é, não só ter aquilo que já existe no Brasil e o Rio de Janeiro perdeu, mas trazer também a Fórmula 1, a Motovelocidade, Formula Indy, enfim...", apontou Paes, à época.
Fora do âmbito esportivo, a Prefeitura de São Paulo tenta ir à frente com um roteiro de megashows gratuitos na Avenida Paulista, em molde similar ao do "Todo Mundo no Rio" — que já teve Madonna, Lady Gaga e Shakira —, mas esbarrou em trâmites burocráticos e na agenda dos artistas.
NFL quer expansão no Brasil
A troca de sede, porém, é vista pela liga como um novo passo em um movimento natural de expansão no mercado brasileiro. A entidade quer alcançar novas praças e, nesta esteira, outras cidades vão ter a NFL Experience ainda este ano.
Somos a NFL Brasil. Cada cidade tem diferentes imagens, mas queremos trabalhar para todas. É um processo, toma tempo. Começamos com São Paulo e Rio porque, principalmente, tínhamos de começar com o mais forte e mais representativo do Brasil, mas queremos o Brasil inteiroLuis Martínez, gerente geral da NFL no Brasil
Sendo assim, a migração de São Paulo para o Rio de Janeiro foi a junção da liga em derrubar uma fronteira com a dos cariocas em receber o evento. Uma comitiva da prefeitura do Rio, inclusive, foi ao Super Bowl, em fevereiro, para abrir as conversas sobre o tema.
Não há essa guerra de Rio e São Paulo. O fã de NFL tem de curtir todo esse momento. Se o jogo for em Manaus no próximo ano, vamos para Manaus. Se for em Curitiba, vamos para CuritibaVictor Szepilovski, gerente de operações da NFL no Brasil, durante o Fórum Brasileiro de Futebol Americano, da CBFA
A capital paranaense já entrou no radar com um projeto importante: o filme sobre a história do Coritiba Crocodiles. O enredo envolve o acidente que matou três jogadores da equipe em 2024 e como eles usaram o episódio como superação para vencer o Brasil Bowl — faturando o título de campeão brasileiro em 2025.
Mas por que o Brasil se torna tão importante nos planos da NFL? Dados apontam que o país é o segundo maior mercado fora dos Estados Unidos, perdendo apenas para o México.
"Primeiramente, a população. É gigante, praticamente outro continente. E o Brasil tem uma riqueza de cores, músicas, comidas, e podemos capitalizar isso para elevar nosso nível de execuções. Temos ainda as redes sociais, e o Brasil é um país super importante para a comunicação, com um jeito de falar e torcer muito claro. O que vocês vão ver daqui para frente é muito mais especializado às necessidades do país", acrescentou Luís Martínez.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.