A freada forte da primeira curva da pista do Azerbaijão fez suas "vítimas" diversas vezes nos 10 anos de corrida em Baku e não foi diferente com Franco Colapinto na relargada do GP deste sábado (26): o argentino julgou que poderia ser agressivo no ponto de freada, mas o misto de temperaturas mais baixas de freios e pneus e a turbulência dos carros a sua frente fizeram com que ele não conseguisse parar sua Alpine. Sem controle do carro, ele acabou indo direto na direção do próprio companheiro Pierre Gasly, e tirou da corrida também Lando Norris, da McLaren.
Colapinto era décimo colocado e Gasly, oitavo. Mantendo as posições, seriam cinco pontos para a Alpine, que recentemente melhorou o rendimento de seu carro e busca tirar o quinto lugar no mundial de construtores da Racing Bulls.
O estrago só não foi maior porque algo semelhante - embora menos dramático - aconteceu entre os próprios companheiros da Racing Bulls e apenas Arvid Lindblad pontuou, chegando em sétimo.
Como a posição no Mundial determina o orçamento da equipe para o ano seguinte, mesmo uma disputa pelo quinto lugar se torna importante, e o chefe da Alpine, Flavio Briatore, disse que vai considerar quais medidas pode tomar para evitar cenários como este no futuro.
Sei que Franco assumiu total responsabilidade pelo ocorrido, como deveria. Freou tarde demais, considerando o contexto da corrida e a relargada com o Safety Car. Uma manobra muito ruim para um piloto da experiência dele. Quero refletir sobre isso e considerar quais medidas devem ser tomadas para que possamos aprender com o erro e evitar que uma situação como essa se repita no futuroFlavio Briatore, chefe da Alpine
Os comissários deram uma punição de 10 segundos para o piloto da Alpine, que será convertida na perda de cinco posições no grid da próxima corrida, na Malásia. Ou seja, um erro que traz consequências em duas etapas para a equipe.
Briatore vai 'punir' a torcida, como prometeu?
Colapinto vem em uma crescente no campeonato, mas também com seus altos e baixos: errou quando era quarto colocado na Itália e até se emocionou em uma entrevista após a prova, sabendo que poderia ter feito mais que um nono lugar, e teve um grande fim de semana, na pista, em Madri, conseguindo o sétimo posto, mas virou manchete pelas ameaças que parte de sua torcida fez a Gasly.
Este é um problema extra-pista que cerca Colapinto desde sua estreia, em meados de 2024. Não se trata de críticas triviais a pilotos rivais, mas sim de ameaças de morte aos pilotos e seus familiares. Os casos mais sérios aconteceram com Jack Doohan, piloto que Colapinto substituiu na Alpine ano passado, com Esteban Ocon após batida no GP de Mônaco deste ano e depois que Gasly teria atrapalhado Colapinto no GP da Espanha ao não deixá-lo passar mesmo estando muito mais lento e com uma estratégia diferente.
Foi neste clima que começou o GP do Azerbaijão para Colapinto. Embora não se tenha notícia de qualquer problema entre os companheiros de Alpine, Gasly fez questão de salientar que as ameaças recebidas por ele, sua família e namorada após o GP da Espanha foram "perturbadoras".
Sabendo da recorrência das atitudes desta porção dos torcedores do argentino, o chefe Flavio Briatore disse, em entrevista para a ESPN da América Latina, cujo conteúdo de F1 é produzido por argentinos, que seu piloto deixaria de dar entrevistas caso os abusos online continuassem.
Teremos uma prova se Briatore vai bancar sua decisão porque, depois do erro pelo qual Colapinto se desculpou imediatamente, Norris não abaixou o tom, defendeu uma suspensão, e chegou a dizer que alguns pilotos não tinham lugar na F1.
Os ataques ao atual campeão do mundo já começaram.
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