O Nubank está em negociações para comprar o banco digital britânico Monzo. A transação pode avaliar a empresa do Reino Unido em até 10 bilhões de libras (quase R$ 70 bilhões). As informações são do jornal Financial Times.
O que aconteceu
A empresa sediada em Londres está em conversas iniciais com o banco digital brasileiro sobre uma possível fusão, de acordo com o jornal britânico. O negócio seria feito pela Nu Holdings, controladora da fintech brasileira que tem ações listadas na Bolsa de Nova York.
Procurada pelo UOL, o Nubank afirmou, por nota, que não comenta "rumores nem especulações". "Reafirmamos nosso compromisso em manter uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para os nossos negócios."
A Monzo também conversa com fundos de investimento para vender uma fatia do negócio. Segundo Financial Times, a empresa avalia ceder até 15% de sua participação para garantir uma injeção de capital e acelerar seu crescimento. Outra opção que tem sido avaliada é o lançamento de uma rodada de captação de recursos mais tradicional (venture capital), em que investidores adquirem fatias menores da empresa.
A fintech britânica contratou os bancos Morgan Stanley e Qatalyst para assessoria. Na última rodada secundária de captação da Monzo, realizada em 2024, a empresa foi avaliada em 4,5 bilhões de libras (R$ 30 bilhões).
Uma venda ao Nubank representaria um golpe para a Bolsa de Londres, de acordo com o jornal. O mercado financeiro britânico tentava convencer a Monzo a abrir seu capital localmente em vez de aceitar uma aquisição estrangeira.
A compra fortaleceria a expansão global do Nubank fora das Américas. O banco digital brasileiro tem valor de mercado de US$ 65 bilhões, conta com 140 milhões de clientes e já tem licença bancária nos Estados Unidos.
A Monzo vive um período de reestruturação sob o comando de Diana Layfield. No ano passado, os grandes investidores do banco, incluindo as empresas de venture capital Accel e Iconiq, organizaram uma rebelião após a saída surpresa do presidente-executivo TS Anil. Os acionistas exigiram a destituição do presidente do conselho da Monzo e uma maior representação dos investidores na diretoria. Desde que assumiu o cargo de CEO em fevereiro, Diana Layfield encerrou as operações da Monzo nos EUA e focou no crescimento europeu, lançando atividades na Irlanda e na Espanha.
Ao Financial Times, a empresa britânica preferiu não comentar sobre as negociações de venda. Fundada em 2015, a fintech tem 16 milhões de clientes e registrou lucro de 87,3 milhões de libras no último ano fiscal
A fintech tenta reduzir a distância para a rival britânica Revolut. A concorrente direta tem 80 milhões de clientes globais, o que pressiona a Monzo a buscar novos serviços e parcerias.
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