Em seu segundo dia de viagem à França, o papa Leão 14 celebrou neste sábado (26) uma missa que reuniu cerca de 800 mil pessoas em Paris, segundo o Vaticano. O sumo pontífice percorreu de papamóvel a avenida Champs-Élysées, aclamado pela multidão, até chegar à Praça da Concorde, onde um altar com uma cruz de quatro metros de altura foi instalado próximo ao obelisco.
Muitos fiéis chegaram cedo e esperaram por mais de três horas para ver o pontífice. Durante a homilia, o papa alertou para o "vazio interior" e para uma sociedade de consumo que não oferece respostas às ansiedades provocadas pela era moderna.
Depois da missa, os milhares de fiéis presentes foram convidados a receber a eucaristia, distribuída por padres posicionados ao longo da avenida Champs-Élysées. Uma tonelada de hóstias foi preparada para a celebração.
Entre a multidão, a francesa Sophie Charlotte Bihler estava enrolada em uma bandeira do Brasil. "Eu estive na Jornada Mundial da Juventude há alguns anos, no Brasil, na praia de Copacabana. Foi extraordinário", disse à RFI. "Então, eu trouxe minha bandeira, na qual recebi vários autógrafos, o autógrafo do papa, tudo isso. Foi incrível. E eu queria homenagear o Brasil hoje", acrescentou a professora, que foi à missa acompanhada dos pais, das irmãs e dos cunhados.
"Estávamos realmente ansiosos por um momento de esperança voltado para a família. Ansiosos pelo discurso e pela homilia do papa na missa e por essa atmosfera entre os cristãos", afirmou.
Papa peruano
A peruana Carmen Yauli também foi à missa em família, acompanhada pela sobrinha. Era a primeira vez que ela assistia a uma missa celebrada pelo papa. "O papa é peruano!", disse, sorrindo. "Nós crescemos em um país católico e sempre estivemos ligados à religião, mas agora é um sentimento mais próximo pelo fato de ele ser peruano."
Ela explicou que foi à Champs-Élysées principalmente para sentir a "energia" do encontro. "Porque se concentra uma energia muito bonita de pessoas que talvez não sejam praticantes assíduas da Igreja, mas têm fé, e isso é o que é bonito. O melhor é poder compartilhar isso com minha melhor amiga, minha sobrinha e meu filho pequeno", disse a consultora.
A brasileira Graça Monteiro dos Santos, católica praticante, afirmou que esperava que o papa transmitisse uma mensagem de paz e fizesse um apelo para que as pessoas cuidassem do próximo. "Que sejamos mais cuidadosos com todos no nosso cotidiano, porque aqui nem sempre é fácil. E que tenhamos mais união. Mas o que mais espero é paz, realmente paz pelo mundo", disse.
A arquiteta Eliana Venâncio, que mora em Paris há 18 anos e se define como "católica fervorosa", viu o papa João Paulo 2° no Brasil. Aluna de um colégio católico de Salvador, na época, ela fez parte de um grupo de crianças escolhidas para receber o pontífice no aeroporto.
"É uma grande emoção. Para mim, é um representante, como foi Pedro, como foi João, como um apóstolo de Deus, de Jesus Cristo", afirmou. Sobre Leão 14, ela disse considerá-lo tímido, mas "muito simpático, muito aberto ao público".
Em relação à missa em Paris, Eliana esperava que o pontífice deixasse alguma "mensagem de esperança, de fé, de algo vá tocar e que a gente leve isso para a nossa vida, para o nosso caminho".
Paz e combate ao "materialismo"
Karol Calado foi à missa em família, acompanhada do marido, Ivo, e dos filhos Rafael e Maria Clara. Ela contou que, no início, achava que Leão 14 "seria um pouco mais fechado por ser americano", mas mudou de impressão. "Agora eu estou vendo ele mais aberto à juventude. Talvez ele tenha uma oportunidade de conquistar muitos jovens."
Karol também considerou importante o discurso do pontífice na França, na sexta-feira, sobre inteligência artificial. "Hoje eu espero que ele fale um pouquinho das guerras. Eu acho que é um tema que está assombrando muito, principalmente a Europa. Esses dias saiu uma notícia de que havia risco de ataque à França, Espanha, entre outros países, Alemanha. Então, fiquei um pouco preocupada", afirmou a brasileira, que vive há um ano em Paris.
Para ela, também é importante a mensagem do papa contra a sociedade de consumo. Karol lamenta que o Brasil esteja "se inclinando muito para um Deus materialista". "A Igreja Católica no Brasil continuou pregando o que ela prega sempre. Olhar os pobres, os mais necessitados", acrescentou.
Muitas personalidades políticas também acompanharam a celebração, entre elas, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, o ex-presidente Nicolas Sarkozy e os presidentes da Assembleia Nacional e do Senado, Yaël Braun-Pivet e Gérard Larcher.
O chefe de Estado, Emmanuel Macron, foi representado pela esposa, Brigitte Macron.
Neto de imigrantes, Leão 14 iniciou seu segundo dia na França com uma visita à Maison Bakhita, associação diocesana de apoio a migrantes. "Uma casa que testemunha, para toda a cidade, que é possível encontrar-se e conviver com dignidade e paz", declarou, após ouvir relatos de exilados afegão e nigeriano atendidos pela associação.
Desde sua eleição, em maio de 2025, Robert Francis Prevost tem feito apelos em defesa da dignidade de exilados e refugiados, sem hesitar em criticar a política migratória do presidente americano, Donald Trump.
O papa deixou Paris neste sábado rumo a Lourdes, no sul da França, destino de peregrinação de católicos do mundo inteiro. Na cidade, visita o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e, na segunda-feira, se encontra com vítimas de violência sexual na Igreja. Depois, o pontífice segue para Metz, no nordeste do país, onde encerra sua visita à França.
A última visita episcopal de um papa à França havia sido a de Bento 16, em 2008. Em 1997, João Paulo 2° reuniu um milhão de pessoas em uma missa da Jornada Mundial da Juventude no hipódromo de Longchamp.
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