O BC (Banco Central) publicou nesta manhã a ata com as justificativas para o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros, para 13,75% ao ano. No documento, os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) destacam o ambiente de incertezas e afirmam que a manutenção do ciclo de cortes da taxa Selic depende dos futuros dados sobre a economia nacional.
O que diz a ata do Copom
BC defende "cautela" para a definição dos próximos cortes de juros. A ata do Copom destaca que o ambiente permanece guiado pelo aumento das incertezas internas e externas, o que exige uma postura de "serenidade e cautela" para cumprir o objetivo de devolver o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para a meta. "O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o documento.
No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário.Ata da 281ª Reunião do Copom
Mercado prevê mais um corte da taxa Selic ainda neste ano. A nova baixa de 0,25 ponto percentual, para 13,5% ao ano, foi projetada na edição mais recente do Boletim Focus, relatório que reúne as expectativas de analistas para os principais indicadores econômicos. A nova estimativa surge mesmo com a expectativa de inflação acima do teto da meta neste ano (+4,92%).
Autoridade monetária usa a Selic para controlar a inflação. A taxa Selic é a principal ferramenta de política monetária para conter os preços. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o que reduz a demanda por bens e serviços e contém o IPCA, principal índice inflacionário do Brasil, o que também segura o avanço da economia. O cenário oposto acontece quando os juros caem.
Desaceleração da economia contribui para a queda da Selic. O documento destaca que a perda de força do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre atingiu segmentos mais "sensíveis" ao ciclo econômico, o que contribui para a missão do BC. "O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta", reforça a ata.
Riscos no radar
Diretores destacam a manutenção das incertezas geopolíticas. A ata observa que os riscos em relação ao cenário externo seguem em níveis elevados, o que abre margem para a evolução da inflação global. "A continuidade de indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas e seus efeitos sobre preços de commodities e insumos alteraram expectativas sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas", diz o texto.
Falta de disciplina fiscal ameaça a taxa de juros neutra da economia. A evolução dos gastos públicos é mencionada como um entrave para prejudicar a sustentabilidade econômica e atingir a curva de juros. "Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta", afirma o Copom ao defender a adoção de reformas estruturais para que as políticas fiscal e monetária sejam "harmoniosas".
O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação.Ata da 281ª Reunião do Copom
Expectativas para a inflação permanecem acima da meta. A ata do Copom reconhece que os índices recentes sinalizam a queda dos preços, mas as projeções apontam para o índice de preço ainda superior à meta para este ano e os próximos. "Perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo", destaca.
A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.Ata da 281ª Reunião do Copom
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