António Guterres, secretário-geral da ONU, abriu a 81ª Assembleia Geral hoje e deu destaque às guerras que viu surgirem durante sua gestão, sem mencionar o conflito entre EUA e Irã.
O que aconteceu
Guterres destacou que as divisões geopolíticas se aprofundaram na última década. "Guerras eclodiram com consequências devastadoras e se prolongaram com uma crueldade abominável. Civis foram alvos. Os direitos humanos foram pisoteados. A fome foi usada como arma. Trabalhadores humanitários foram mortos. O direito internacional foi deixado de lado", discursou.
O secretário-geral exemplificou o cenário citando alguns conflitos, mas evitou falar sobre os EUA e o Irã. Ele falou especificamente sobre Israel e Palestina, além de Rússia e Ucrânia. "Esses e tantos outros conflitos mostram o que acontece quando o poder sai de controle, a força supera a diplomacia, os gastos militares disparam e a responsabilização é deixada de lado", continuou.
Primeiras palmas do público presente foram feitas no momento em que Guterres falou sobre Israel e Palestina. "Não podemos deixar a solução de dois Estados desaparecer do alcance de nossos olhos", declarou.
Apelo aos líderes presentes nesta sala que aproveitem ao máximo esta semana de alto nível para a desescalada e o diálogo. Juntos, enviemos uma mensagem clara a partir deste plenário: os combates devem cessar. A ajuda humanitária deve fluir. E os direitos e liberdades de navegação devem ser plenamente restaurados, em conformidade com o direito internacional. António Guterres
Além das guerras, outros dois grandes temas citados por Guterres foram o avanço da inteligência artificial e as mudanças climáticas. Secretário-geral pediu que a tecnologia seja guiada por regras voltadas ao interesse público e argumentou que alterações no clima podem aprofundar desigualdades já existentes, criando um ciclo de vulnerabilidade.
Líder da ONU defendeu ainda uma reforma do Conselho de Segurança da organização. Para ele, o órgão precisa ser reformulado para refletir melhor a realidade atual do mundo e para que as decisões sobre paz e segurança internacionais sejam mais respeitadas, incluindo assentos mais representativos.
O Brasil defende formalmente a reformulação do Conselho, mas não foi mencionado pelo secretário. O governo brasileiro quer ampliação dos números de assentos permanentes e não permanentes. "A despeito das importantes transformações pelas quais o mundo passou desde então, a estrutura do Conselho de Segurança foi alterada apenas uma vez, em 1965", diz trecho de uma nota do Itamaraty publicada no ano passado.
Por fim, o secretário se despediu após 10 anos no cargo: "Portanto, em 1º de janeiro, quando eu não for mais secretário-geral, tenham certeza disto: onde quer que eu esteja, seja lá o que estiver fazendo, continuarei defendendo a convicção de que a paz é possível".
Guterres saiu ovacionado, mas delegação dos EUA foi a única a não se levantar para aplaudi-lo, observou a colunista do UOL Mariana Sanches, presente no local. A ONU reprovou ações do presidente americano, Donald Trump, na Venezuela e também na guerra contra o Irã nos últimos meses —o que criou um clima hostil entre as partes.
Assembleia Geral da ONU reúne 193 países em Nova York. A reunião é realizada anualmente e discute temas como conflitos, economia, meio ambiente e cooperação entre países. Depois de Guterres, o presidente Lula discursou.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.