Yuki Tsunoda nunca tinha pilotado um carro de 2026 até o GP da Holanda e não fez feio logo de cara. Liam Lawson trocou o Racing Bulls pelo Red Bull, substituindo o lesionado Isack Hadjar nas últimas três corridas, e também imediatamente começou a andar bem mais perto de Max Verstappen do que nas duas corridas que fez ao lado do holandês em 2025. Para o holandês, a explicação é clara: os carros da nova geração não forçam tanto os pilotos quanto antes.
Na história do esporte, normalmente o piloto que assume mais riscos - freando mais tarde, acelerando mais cedo e atacando as curvas de alta velocidade - é recompensado, porque se ganha tempo nessas curvas. Mas agora temos de pensar constantemente: 'Nesta curva, talvez eu precise segurar um pouco. Acelerar mais tarde. Ou frear mais cedo. Ou tirar o pé. E, assim, ganho mais velocidade final'. Coisas desse tipo. É algo tão antinatural. Não deveria ser assim.
Sem desrespeitar ninguém (e espero que não levem a mal), mas o Yuki, por exemplo, entra no carro da Racing Bulls no GP da Holanda e é imediatamente competitivo, sem nunca ter pilotado aquele carro antes. O Liam entra em uma Red Bull e também é imediatamente competitivo. Isso acontece porque esses carros não transmitem aos pilotos sensações precisas através dos comandos.Max Verstappen
Os carros deste ano têm duas diferenças principais em relação aos das regras anteriores: o motor depende três vezes mais da energia elétrica, e ela é recarregada o tempo todo. Então, como Verstappen apontou, o piloto tem que ajustar sua pilotagem nas curvas para ajudar nesta recarga.
E ele também gera menos pressão aerodinâmica, fator que, como explicou Gabriel Bortoleto ao UOL, faz com que a precisão do piloto valha menos, pois o carro fica menos no limite.
Esses carros são mais fáceis de pilotar, mas eu diria que aqueles últimos dois décimos, que é onde os companheiros de equipe dele, por exemplo, não conseguem chegar, é onde o piloto ainda faz a diferença.
Ano passado, realmente, ao invés de ser dois, eram os últimos quatro, cinco décimos, porque os carros eram muito mais rápidos, tinha muita mais aerodinâmica, você tinha que ter uma confiança absurda com o carro, e os carros deste ano têm bem menos aerodinâmica, então, e também por toda a questão de energia, bateria, eu acho que o piloto pode chegar naqueles dois, três décimos do companheiro mais facilmente, mas aí, depois daquilo, eu acho que, ainda assim, ele consegue fazer a diferença, cada piloto de cada equipe que tem ficado na frente consegue fazer a diferença.Gabriel Bortoleto ao UOL
Até mesmo Lawson, perguntado pelo UOL sobre as declarações de Verstappen, disse que "consegue entender" o raciocínio do holandês. "Sinto que as coisas estão menos no nosso controle, pela maneira como a energia funciona. Mas eu acho que, ao mesmo tempo, só eu e o Yuki sabemos como é se acostumar com um carro novo."
O piloto japonês reconheceu que tem "mais margem" com o carro deste ano, principalmente pela questão da aerodinâmica, citada por Bortoleto.
Como ele tem menos downforce, você consegue escorregar mais. É mais controlável. Porque quanto mais downforce, mais velocidade você carrega. E, quando você passa do limite, as consequências vão ser maiores. Então (com este carro) você tem um pouco mais de margem e se sente mais confortável para forçar de um jeito mais agressivo. Porque, com menos downforce, você escorrega mais facilmente. Então é mais fácil sentir o limite.
Por outro lado, o piloto da Racing Bulls, que voltará à reserva neste fim de semana no GP do Azerbaijão, uma vez que Hadjar retorna à Red Bull, disse que pilotar o carro de 2026 é "mais estressante" por conta do número de comandos que o piloto tem que controlar.
Ele revelou, por exemplo, que esqueceu de usar o modo reta várias vezes durante o GP da Itália. É um botão que tem que ser acionado quatro vezes por volta, no caso da pista de Monza.
"Tem mais coisas para fazer no volante, então pode ser mais estressante. Ao mesmo tempo, na corrida, você pode ter mais ultrapassagens", disse Tsunoda.
Bortoleto concorda: "Agora a gente tem muito mais coisa para fazer no volante, na volta e etc, mas, ao mesmo tempo, é parte do nosso trabalho, não é que no ano passado a gente não fazia nada. É óbvio que dificulta um pouco mais, dá um pouco mais de trabalho, mas, por isso que a gente tem que estudar."
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