O Mar Cáspio, o maior corpo de água interior do mundo, virou um "ponto de colisão" entre as guerras do Irã contra Israel e Estados Unidos e da Rússia contra a Ucrânia. As informações são da CNN.
O que aconteceu
Localizado entre a Europa Oriental e a Ásia Central, o Mar Cáspio banha Rússia, Irã, Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão. Sem acesso direto aos oceanos e fora do alcance de marinhas ocidentais, a rota tornou-se um corredor seguro para o comércio e a cooperação militar entre Moscou e Teerã.
O Cáspio é um imenso corpo de água salgada com 371 mil km², maior que muitos países europeus. Ele conecta portos russos como Astrakhan aos iranianos como Anzali.
O Cáspio, antes relativamente isolado, virou foco da geopolítica global após ataques ucranianos contra embarcações na região no fim de semana. A operação abriu uma nova frente de confronto que aproximou diretamente a guerra no Leste Europeu das tensões militares envolvendo o Irã.
O Cáspio ganhou enorme importância como rota alternativa para o Irã depois dos bloqueios nos portos do Golfo Pérsico. Navios russos cruzam o Mar Cáspio levando grãos, aço e outros produtos para o Irã, enquanto o Irã investe na ampliação de seus portos para aumentar o comércio com a Rússia, os países do Cáucaso, a Ásia Central e, indiretamente, a China, segundo informações da CNN.
Irã e Rússia intensificaram a parceria militar pelo Cáspio. Drones Shahed iranianos seguiram essa rota para a Rússia no início da guerra na Ucrânia, enquanto navios continuam levando componentes, munições e possivelmente mísseis. A via permite transferência de tecnologia e suprimentos com menor risco de interceptação ocidental, segundo a CNN.
A Rússia usa o Cáspio como santuário naval e corredor para a Ásia Central e o Irã. Com a frota do Mar Negro sob pressão, navios russos operam com mais segurança nessa região. A parceria com Teerã inclui apoio em nuclear civil, exploração de petróleo e cooperação militar mais ampla.
Os ataques recentes no Mar Cáspio
No último fim de semana, a Ucrânia realizou ataques com drones contra navios no Mar Cáspio. Segundo Kiev, os alvos eram dois navios russos que transportavam cargas militares vindas do Irã, além de um barco de mísseis russo. A operação foi apresentada como um sucesso de longo alcance e parte da estratégia para interromper o fluxo de suprimentos entre Teerã e Moscou.
A Ucrânia afirma que os navios atingidos faziam parte de uma rede de suprimentos militares. O presidente Volodymyr Zelensky destacou que os drones acertaram embarcações carregadas com carga militar iraniana destinada à Rússia. Para Kiev, o ataque enfraquece diretamente o apoio que o Irã oferece à guerra russa.
O Irã negou que os navios carregassem material militar e afirmou que um de seus navios comerciais, transportando ferro, foi atingido. Teerã confirmou a morte de um tripulante e ferimentos em outros três. As autoridades iranianas classificaram o ato como "aventura perigosa" e prometeram que não ficará sem resposta.
Após os ataques, o Irã convocou o encarregado de negócios da Ucrânia em Teerã para protestar formalmente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano reforçou que a ação ucraniana terá consequências. O incidente marca o primeiro choque direto e aberto entre Irã e Ucrânia, aproximando ainda mais as duas guerras.
A rota do Cáspio que liga os portos do norte do Irã ao porto russo de Astrakhan já foi alvo da Ucrânia anteriormente. Em agosto passado, segundo a CNN, um navio de carga —o Port Olya 4— foi destruído enquanto estava, segundo relatos, carregado com componentes de drones Shahed-136 e munições iranianas.
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