Denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob a acusação de contratar, com recursos do Corinthians, segurança pessoal, o presidente do clube Osmar Stabile se defendeu diante do órgão alegando que a segurança é necessária pelos riscos trazidos pela próprio cargo, principalmente ataques da própria torcida.
Em documento protocolado na investigação e ao qual a coluna teve acesso, Stabile cita vários casos de violência contra integrantes do futebol do Corinthians. Um deles é o caso do meia Luan, agredido por torcedores em 2023 dentro de um motel.
Stabile ainda cita ameaças de morte ao goleiro Cassio, invasão da sede social em junho de 2024 e entrada do ex-presidente Augusto Melo com apoiadores no clube em 2025.
"Histórico público e documentado de atos de hostilidade praticados por integrantes de torcidas organizadas, notadamente a GAVIÕES DA FIEL, contra dirigentes, funcionários e atletas do clube", diz a defesa.
Representantes de Stabile afirmam ainda que a segurança pessoal está diretamente ligada à atividade dele como presidente do Corinthians. "A necessidade de proteção nasceu do cargo e desaparecerá com ele", diz o documento.
Stabile ainda aponta que passou a sofrer ameaças mais agressivas e violentas durante as negociações pela renovação de Memphis Depay em agosto. Várias dessas ameaças, que incluem fotos de faca e armas de fogo, foram anexadas ao processo.
Fontes ligadas à investigação contestam, entretanto, esse argumento. A empresa de segurança Bear Security foi contratada em julho de 2025, bem antes da explosão das ameaças por conta da renovação com Memphis.
Stabile é acusado de gastar R$ 721 mil com uma empresa de segurança contratada pelo Corinthians, mas que fazia segurança pessoal do presidente. Dentre as provas do processo há foto e vídeos de seguranças da empresa acompanhando familiares de Stabile em um passeio de barco nas Cataratas do Iguaçu.
Caso a denúncia seja recebida pela Justiça, o presidente do Corinthians passará a ser réu em uma ação penal.
Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista. A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo.
As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians.
Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos. Osmar Stabile permanece normalmente no EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA, pois o pedido depende de decisão judicial. A defesa, por sua vez, confia no Poder Judiciário e está segura de que ficará demonstrado que não houve qualquer apropriação de valores do Clube.
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