Não foram só os bate-bocas entre ministros que marcaram a primeira parte da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que julga eventual abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes.
Fora do alcance das câmeras da TV Justiça, magistrados trocavam bilhetes escritos em guardanapos, faziam esforço para ver as anotações de colegas e reagiam aos apartes apaixonados. Ao final, o clima belicoso foi rompido por um abraço longo de Flávio Dino em Edson Fachin, presidente do Supremo.
Um dos principais alvos de ataques dos demais ministros, André Mendonça passou parte da sessão usando um marca-texto cor de rosa para destacar textos em um documento que lia. O teor dos papéis atiçou a curiosidade de Moraes, que, por diversas vezes, se esforçou para tentar ver do que se tratavam os documentos que Mendonça analisava à sua direita.
Quando Gilmar Mendes começou a se pronunciar, Mendonça escreveu uma anotação num guardanapo e mandou o auxiliar entregá-la ao colega Dias Toffoli. Na sequência, Moraes cochichou com o Toffoli, ao pé do ouvido. Moraes senta-se entre Toffoli e Mendonça no plenário.
A participação de Gilmar também proporcionou um destaque para os auxiliares dos ministros, chamados de "capinhas" e responsáveis por levar café, água e documentos aos magistrados.
Na hora em que Gilmar Mendes comunicou que recebeu um ofício de Dino para questionar a atuação do Fachin, todos entregaram os documentos a que o magistrado se referia para os ministros, de forma quase coreografada.
A questão de ordem de Dino, que propõe juntar o julgamento de Moraes com o de Mendonça no dia 23 e que seja feito um pente-fino em todos os ministros de tribunais superiores citados em documentos do Banco Master, será analisada na volta do almoço pelos ministros.
Antes do intervalo, houve momento para distensionar o clima. Se durante o julgamento Dino e Fachin tiveram uma troca de farpas acalorada sobre a regra dos apartes, ao final protagonizaram um longo abraço, seguido por conversa.
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