Publicidade
Espaço para Google AdSense (Top Leaderboard)
UOL Economia há 45 d • Ter, 15 Set 2026 05:30:00 -0300

Fundador da Klin Calçados começou como office boy e quase foi à falência

Fundador da Klin Calçados começou como office boy e quase foi à falência

O empresário Carlos Mestriner, hoje com 63 anos, começou a trabalhar no início da adolescência, algo comum no Brasil de algumas décadas atrás. Aos 12 anos, enquanto estudava, também era office-boy e fazia a limpeza de uma empresa de materiais para calçados em Birigui (SP), cidade localizada a cerca de 500 quilômetros da capital paulista.

Aos 15 anos, já era gerente da loja. Mais tarde, tornou-se representante comercial e passou a conhecer de perto a fabricação de calçados. Foi ali que decidiu que um dia teria a própria indústria do setor. "Eu tinha um desejo empreendedor. Sempre fui muito curioso. Eu era aquele menino que pergunta de tudo, que queria entender tudo", conta.

Em julho de 1983, a ideia saiu do papel e ele fundou a Klin Calçados, especializada em produtos infantis. A empresa produz cerca de 5,5 milhões de pares por ano e registrou faturamento de R$ 200 milhões em 2025.

Mas o início foi bem diferente, com obstáculos comuns a quem empreende e uma quase falência.

Máquinas de segunda mão e só um funcionário

Quando ainda atuava como representante comercial, Mestriner visitava fábricas de calçados da região. Como já pensava em empreender, ele decidiu comprar máquinas usadas das empresas quando elas renovavam o parque industrial. Ao todo, investiu cerca de R$ 20 mil nos equipamentos, valor equivalente ao dos dias atuais.

"Quando eu comecei a fábrica, já tinha um miniparque fabril. Então eu conseguia produzir tudo internamente", lembra.

A estrutura funcionava em um espaço de apenas 60 metros quadrados. Hoje, a sede da Klin fica ao lado desse local, que foi preservado como um símbolo do início da empresa.

No começo, a fábrica tinha apenas Mestriner e um funcionário. Juntos, produziam entre oito e dez pares de sapatos por dia. O empresário percorria cidades da região para vendê-los diretamente aos lojistas.

A rotina era ainda mais puxada porque, paralelamente, ele cursava direito. "Eu praticamente não dormia. Tinha que estudar, tinha que ler", diz.

Juros altos e a quase falência

Nos primeiros anos da empresa, Mestriner decidiu acelerar a expansão e financiou a compra de máquinas com empréstimos bancários. "Os juros permitiam. Mas eu acelerei acima da minha capacidade."

Pouco depois, vieram as turbulências econômicas da década de 1980 e os juros subiram, tornando a situação financeira insustentável para muitos brasileiros.

"Eu olhava o que eu tinha para receber, o que eu tinha de matéria-prima, as máquinas, o empréstimo para pagar... Não fechava a conta."

Diante da crise, o contador da Klin afirmou que a única saída seria pedir concordata (recuperação judicial da época). Mestriner, no entanto, recusou a ideia. Em conversa com o pai e a família, eles decidiram seguir outro caminho: vender um bem do pai para levantar recursos. Com o dinheiro em caixa, Mestriner renegociou as dívidas diretamente com os bancos.

"Uma dívida que seria de cerca de R$ 2 milhões em valores de hoje, a gente conseguiu acertar por R$ 450 mil."

O acordo permitiu quitar os débitos, recuperar o capital de giro e manter a empresa funcionando. Um ano depois, o empresário conseguiu devolver ao pai o dinheiro obtido com a venda do patrimônio.

"Foi um aprendizado em todos os sentidos. Não só olhando para a gestão do negócio, mas também para as questões familiares e pessoais."

Olhar para fora

Depois do período turbulento, a Klin mudou a forma de crescer. Segundo Mestriner, a empresa passou a tomar decisões de forma mais estratégica e com uma visão de longo prazo.

No mercado brasileiro, a aposta foi fortalecer a presença em cidades do interior, em vez de concentrar as vendas nas capitais. Para isso, estruturou uma rede de cerca de 60 escritórios de representação espalhados pelo país.

A internacionalização também ganhou força a partir da década de 1990. Hoje, a Klin exporta para cerca de 60 países, principalmente na América Latina e no Oriente Médio. Agora, a fabricante está de olho nos Estados Unidos.

A empresa tem quatro unidades fabris e emprega cerca de 2 mil pessoas. Dos aproximadamente 5,5 milhões de pares produzidos por ano, cerca de 1,3 milhão são destinados ao mercado externo.

Da Xuxa para as redes sociais

Desde a fundação, a Klin manteve o foco exclusivamente em calçados infantis, atendendo crianças nos primeiros anos de vida. Ao longo das décadas, porém, a forma de conversar com seu principal público consumidor, as mães, mudou completamente.

Nos anos 1980 e 1990, a estratégia de marketing passava pela televisão, com ações em programas apresentados por Xuxa, Angélica e Eliana, que alcançavam milhões de famílias brasileiras. Com o avanço da internet e das redes sociais, a empresa precisou adaptar sua comunicação e acompanhar a mudança no comportamento do consumidor.

"É uma empresa que nasceu analógica e precisou se adaptar às mudanças no comportamento das mães, das famílias e dos hábitos de compra e consumo", afirma.

Atualmente, o digital representa em torno de 8% das vendas.

Suelen Pedroso, coordenadora de Comércio e Serviços do Sebrae/PR, diz que os hábitos de consumo mudam rapidamente. Por isso, acompanhar as transformações nas vendas não é mais uma opção; é uma necessidade. "O empreendedor que incorpora canais digitais amplia seu alcance, melhora o relacionamento com os clientes e cria novas oportunidades de receita", diz.

Expansão com franquias

A Klin começou a expandir o modelo de franquias há cerca de cinco anos. O investimento para abrir uma loja é de cerca de R$ 500 mil, com faturamento médio entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por mês, segundo o empresário. A margem de lucro das franquias gira em torno de 12%, mas a meta é elevar esse percentual. A empresa usa as unidades franqueadas como centros de distribuição para pedidos online.

Para Suelen Pedroso, transformar unidades franqueadas em pontos de apoio logístico também é uma estratégia que responde diretamente às novas demandas do consumidor por rapidez e conveniência. "Entre os principais benefícios estão a redução dos prazos de entrega, a diminuição dos custos logísticos e o melhor aproveitamento dos estoques."

Deixe seu comentário

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Publicidade Recomendada
Espaço para Google AdSense (In-Article Responsive)
Fonte da Notícia: UOL Economia
0 leituras Voltar ao Feed
Publicidade
Espaço para Google AdSense (Article Bottom)

Leia a Seguir

Matérias selecionadas sobre o mesmo assunto para continuar sua leitura
SOROCABA - SP
CARREGANDO...
--°C
TEMPERATURA
Sensação --°C
Umidade --%
Vento --
PREVISÃO — 5 DIAS
Toque para detalhes
Carregando previsão...
DETALHES --
Mínima--
Máxima--
Chuva--
Volume--
Nascer--
Pôr Sol--
Índice UV--
Vento Máx.--
Previsão por Hora
Fonte: Open-Meteo ECMWF / NOAA

Rodízio de Veículos SP

Centro Expandido • CET-SP
Livre (Fim de Semana)
Sábado • 31/10
LIVRE HOJE

Circulação liberada para todos os veículos.

SEG 1/2
TER 3/4
QUA 5/6
QUI 7/8
SEX 9/0
07h-10h & 17h-20h Multa R$ 130,16

Trânsito & Rodovias

São Paulo & Principais Vias
Tempo Real
Marginal Tietê
Livre
Ayrton Senna ↔ Castello Pistas livres em ambos os sentidos
Marginal Pinheiros
Livre
Interlagos ↔ Castello Pistas expressa e local livres
Rod. Castello Branco (SP-280)
Livre
São Paulo ↔ Barueri ↔ Sorocaba Pista expressa e marginal com tráfego livre
Rod. Raposo Tavares (SP-270)
Normal
São Paulo ↔ Cotia ↔ Sorocaba Trecho de serra e pista dupla com boas condições
Rodoanel Mário Covas (SP-021)
Livre
Trecho Oeste e Sul Tráfego livre sem retenções nos acessos às rodovias
Rod. dos Bandeirantes (SP-348)
Livre
São Paulo ↔ Campinas / Interior Excelente fluidez em ambas as pistas e pedágios normais
Atualizado às 01:02

Widgets para o seu Site

Notícias e Clima em tempo real

Incorpore notícias de mais de 20 portais e previsão do tempo em seu blog ou portal com 1 linha de código.

Criar Widget Grátis
Publicidade
Google AdSense Sidebar 300x250
A Seguir • Cruzeiro do Sul
Fundador da Yees! Incorporadora visita a FUA e apresenta projetos em Sorocaba