Os largos sorrisos nos jovens rostos das atletas venezuelanas ao deixarem a quadra do Maracanãzinho transpareciam a importância do que havia acontecido minutos antes. O triunfo sobre o Peru foi o primeiro da equipe no Pré-Olímpico Sul-Americano de Vôlei Feminino, mas teve um peso muito maior que qualquer pontuação. Afinal, a delegação chegou ao Rio de Janeiro semanas depois de o país ter sido atingido por terremotos de grandes proporções.
Tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 causaram a morte de mais de 6.300 pessoas e deixaram 24 mil desabrigados, em números divulgados no mês passado. Um dos piores desastres naturais da história recente do país.
A preparação da seleção feminina de vôlei teve impactos. O técnico Adrián Fiorenza contou um episódio em que a delegação sentiu os tremores e ressaltou que foi uma tragédia que tocou pessoalmente as atletas, lembrando a morte de Willner Rivas, da seleção masculina.
Passamos por um momento de terror. Estávamos concentrados em um edifício de 15 andares e passamos muito mal. O edifício segurou e ficamos bem. Lamentavelmente, no time masculino, houve uma perda muito importante. Entre as meninas e os garotos, havia uma relação de amizade muito grande. Por isso, foi um momento muito duro, que lhes tocou de perto, além de toda a tragédia humana que houve Adrián Fiorenza, ao UOL
Ficamos mais de 12 dias sem treinar. Pudemos juntar energia para poder seguir adiante e enfrentar os compromissos que tínhamos. É algo que me lembro diariamente e digo a elas também, porque é uma admiração por como se sobrepuseram a esse momento tão difícil. Muito mais que vôlei. Por isso, hoje, quando terminamos a partida, o único que lhe disse foi que elas mereciam Adrián Fiorenza
Uma das principais jogadoras do elenco, Isabel Fernández comentou sobre o sentimento do elenco venezuelano ao entrar em quadra no Rio de Janeiro. "Viemos para honrar e representar o país 100%, orgulhosamente vestir essa camisa e dar tudo de nós".
Vôlei em reconstrução
A Venezuela chegou ao Brasil com uma delegação muito jovem, em meio a um projeto que foi retomado há pouco mais de um ano.
Estamos em um período de início de um novo processo, com jogadoras muito jovens. Muitas meninas de menos de 20 anos, com 16, 17, 18... É um trabalho a longo prazo. Temos de confiar nessas jogadoras, tentar que joguem em ligas importantes e, daqui a três, quatro anos, podemos pensar em novos passos, como uma classificação para o Mundial, por exemplo Adrián Fiorenza
Fiorenza foi anunciado no cargo em meio do ano passado. Nascido na Argentina, ele acumula boa parte da carreira no vôlei espanhol, tendo sido técnico e diretor esportivo do CVB Barcelona, da Espanha.
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