Os bancários da Caixa Econômica Federal decidiram ontem fazer uma paralisação nacional por tempo indeterminado. A mobilização resulta da rejeição da proposta de renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) apresentado pelo banco. Trabalhadores de algumas unidades do Banco do Brasil também entraram em greve.
Contas que vencem durante a greve devem ser pagas no mesmo prazo. O não pagamento pode gerar multa por atraso e inadimplência. Os clientes podem fazer as transações nos canais digitais dos bancos ou em caixa eletrônico.
Paralisação deve afetar atendimentos presenciais. Algumas análises complexas de crédito, procedimentos de segurança, coletas de biometria e suportes ao cliente podem exigir visita a agências físicas.
Serviços digitais não sofrem alterações. Pix, transferências tradicionais, pagamentos de contas e demais serviços prestados via site ou aplicativo dos bancos seguirão no ar. Depósitos e saques podem ser feitos em caixas eletrônicos. Alguns bancos menores podem ter menos integração digital.
O que aconteceu
Trabalhadores da Caixa cruzam os braços por tempo indeterminado. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região afirma que a decisão foi tomada após mais de 90% dos bancários recusarem a proposta apresentada pela diretoria da instituição estatal.
Paralisação deve ser mantida até a realização de novas assembleias. A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, Luiza Hansen, destaca que a recusa dos trabalhadores pressiona o banco a apresentar uma "proposta que atenda às expectativas".
Caixa afirma manter "diálogo aberto" com os sindicatos dos bancários. Em nota, a instituição estatal destaca que "retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas". Para os clientes, o banco orienta a utilização dos canais digitais e remotos, além do atendimento telefônico e das agências lotéricas.
Greve também foi confirmada em algumas unidades do Banco do Brasil. Ao todo, 39 representações sindicais aceitaram o acordo patronal, incluindo as de São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói (RJ) e Jundiaí (SP). No entanto, a maioria das entidades decidiu rejeitar a oferta e tentar reabrir o diálogo, com a paralisação aprovada por 27 sindicatos, como os de Belo Horizonte (MG), Bahia, Ceará e Piauí.
Banco do Brasil afirma que canais de atendimento virtual são alternativa à população. Em nota, a instituição diz participar das negociações conjuntas da Fenaban e atua com uma mesa específica com as entidades sindicais para tratar diretamente sobre os funcionários do banco, o que resultou na proposta aceita por parte das entidades sindicais. Para os clientes dos locais que aderiram à paralisação, o Banco do Brasil orienta o uso do aplicativo, internet banking e WhatsApp.
Acordo firmado
Profissionais dos bancos privados fecharam acordo com os patrões. A assinatura da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) foi realizada na quarta-feira (9) em São Paulo, após diálogo com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).
Convenção aprovada garante reajuste real (acima da inflação) de 0,6% por dois anos. O aumento acordado vale para salários e benefícios como VA (Vale-Alimentação), VR (Vale-Refeição) e a PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Acordo coletivo também traz avanços em direitos sociais e saúde dos trabalhadores. O texto aprovado pelos profissionais dos bancos privados também prevê medidas contra o assédio, apoio à saúde mental, direito de desligar o celular fora do expediente e regras para o monitoramento digital.
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