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São Paulo A exposição "A mente de um Serial Killer" acaba de chegar em São Paulo repleta de controvérsias. Disponível no shopping Eldorado desde o dia 3, a mostra se apresenta como uma experiência para refletir sobre crimes violentos e promover uma homenagem às vítimas. Porém, na prática, o espaço beira o voyeurismo mórbido imersivo —a um custo que vai de R$ 50 a R$ 140 o ingresso.
A cada sala, a história de um assassino em série é apresentada, entre eles, Ted Bundy, BTK, Edward Gein e Jeffrey Dahmer. À medida que o visitante avança, o caráter educativo dá lugar à morbidez. Cenários inspirados em crimes reais viram estúdios fotográficos, com fotos profissionais e dicas de poses para se adequar ao modus operandi de cada criminoso.
No espaço de Ted Bundy, as instruções para fotos na réplica do Fusca usado para caçar e matar 30 mulheres incluem recostar no banco e se abaixar, como o assassino faria. Na sala dedicada ao canibal Richard Chase, o vampiro de Sacramento, uma banheira coberta de sangue falso vira o local perfeito para o próximo clique do Instagram e a instrução é clara: "Finge de morto".
A exploração do horror atinge seu ápice no espaço de David Parker Ray, o assassino da caixa de brinquedos. Ali, os visitantes podem sentar em uma cadeira de tortura e a sugestão é fazer poses que simulem sofrimento ou, se estiver acompanhado, uma foto fingindo ser estrangulado pelo cônjuge.
O problema não é a recriação das cenas de crimes. Inclusive, a perturbadora riqueza de detalhes é um dos pontos altos da mostra. É incômodo ver bonecos amarrados na sala da casa de BTK e indigesto encontrar uma cabeça na geladeira de Dahmer. Porém, o que embrulha o estômago de verdade é a morbidez instagramável explorar assassinatos para divertimento fotográfico.
Seria aceitável o Brasil exportar uma exposição em que visitantes simulassem ser Manfred e Marísia von Richthofen? Acharíamos divertido um espaço instagramável das matas do antigo Parque do Estado, onde o Maníaco do Parque desovou suas vítimas? Afinal, há entretenimento na morbidez?
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Espetacularização do horror à parte, a exposição também coleciona defeitos. É extensa demais, repetitiva e, assim, torna-se cansativa depois do quinto ou sexto caso. No total, são 17. Os totens interativos e dossiês, ainda que interessantes, são limitados, o que facilita a formação de filas e transforma os 90 minutos previstos em boas horas de espera.
Aos fãs de true crime, a recomendação é se preparar para ao menos três horas de visitação. Há ainda opções adicionais como experiência 3D (R$ 30), bar com drinques inspirados nos crimes e loja, onde é possível comprar desde camisetas com alusão ao Zodíaco, serial killer que matou cinco pessoas no norte da Califórnia, até fotografias geradas com inteligência artificial (R$ 70) que transformam os visitantes em policiais ou assassinos. As fotos profissionais nos cenários de crimes também podem ser adquiridas à parte, como o último souvenir da experiência.