O Nubank anunciou nesta quinta-feira (10) sua entrada no mercado dos Estados Unidos, oferecendo cartão de crédito e débito, além de conta corrente. Neste primeiro momento, a operação se dará em associação com o Lead Bank.
A instituição obteve em janeiro a aprovação condicional da licença bancária do Federal Reserve, o banco central dos EUA, e tem até meados de 2027 para iniciar a operação bancária própria.
A instituição também lançou uma conta digital multimoedas que permite transferir dinheiro de forma instantânea sem tarifas para mais de 35 mercados, incluindo praticamente toda a Europa e os países da América Latina onde a empresa ainda não está presente. As transferências funcionam apenas entre clientes Nubank . Mas, se o destinatário for um cliente do Brasil, é possível fazer transferência sem custo para qualquer chave de PIX de qualquer banco no Brasil.
"Mandar dinheiro para pessoas em outros países deveria ser tão simples como mandar uma mensagem", disse o CEO e fundador David Vélez durante o anúncio em um evento no Nu Stadium, o estádio de futebol do Inter de Miami que tem o patrocínio do Nubank desde o início do ano.
A conta Nu Global é menos uma nova fonte de receita para o banco digital e mais uma estratégia para conhecer o potencial de mais 35 países antes de decidir em quais novos mercados entrar. "A gente vai ser competitivo no câmbio. Não definimos ainda qual será o spread, mas basicamente deve ser uma operação neutra para o banco", diz Cristina Junqueira, co-fundadora que vai comandar a operação nos EUA.
Estratégia nos EUA
Os EUA são o quarto país de estreia do Nubank, que começou no Brasil há 13 anos e hoje tem operação no México e na Colômbia, com 140 milhões de clientes. A instituição planeja investir de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões nos próximos dois anos com a operação.
Os EUA são o maior mercado bancário do mundo e têm se mostrado desafiador para estrangeiros. O alemão N26 ficou dois anos e desistiu. A fintech britânica Monzo também fez um movimento e saiu. O mais resiliente é o Revolut, também britânico, que recebeu na semana passada a aprovação condicional do Federal Reserve e planeja iniciar sua operação própria antes do fim de 2027. Até agora, ele está nos EUA por meio de parceria.
"Ainda hoje, 95% do sistema financeiro global é controlado pelos incumbentes. A gente fala dessas marcas todas, mas as fintechs são só 5%. A transformação do sistema está só começando e há muita oportunidade", diz Vélez.
Nos EUA, o banco deve começar a buscar clientes na comunidade latina, que já está familiarizada com a marca.
"Os hispânicos nos EUA são 80 milhões. É natural começar por esse público que já conhece a gente. Mas o mercado americano é gigantesco: 50% do mercado mundial está aqui. Há segmentos muito competitivos e com muita oferta, como o de alta renda. A gente está olhando para um segmento de 100 milhões a 150 milhões de clientes mal servidos ou desbancarizados."
Ele não quis revelar a meta de clientes que o banco projeta conquistar nos EUA, mas disse que, "no longo prazo", é possível falar em "10 milhões a 20 milhões". Cada cliente nos EUA equivale a 10 brasileiros em termos de potencial de receita para o banco —metade disso se explica pelo câmbio e a outra metade pela diferença na renda per capita.
Clientes do Nubank nos EUA terão 1,5% de cashback ilimitado no cartão. A conta corrente em dólar tem remuneração de 3,5% ao ano.
O banco aposta na ausência de tarifas e na remuneração automática na conta corrente como diferencial para conquistar o cliente dos EUA. "Há uma grande oportunidade, pois nos EUA as pessoas não são remuneradas pelos seus depósitos. Há muita inércia no sistema e as pessoas não sabem o custo invisível de se bancarizar", diz Vélez. "Hoje 70% dos depósitos dos consumidores, equivalente a US$ 10 trilhões, não possui remuneração", completa Junqueira.
*A colunista viajou para Miami a convite do Nubank
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