Após quatro meses consecutivos de desaceleração dos preços, as expectativas do mercado financeiro apontam para uma deflação no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplia) de agosto, que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga amanhã. A principal justificativa dada por analistas de mercado para essa expectativa é o impacto do bônus, de R$ 872,1 milhões, que abateu as contas de luz de 83,8 milhões de consumidores no mês passado.
O que aconteceu
Bônus de Itaipu aliviou o peso das contas de luz na inflação. O desconto foi aplicado diretamente nas contas do mês passado de clientes residenciais ou rurais que tiveram consumo inferior a 350 kWh em ao menos um mês de 2025. A redução será refletida nos dados que serão apresentados nessa sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Valor médio estimado do bônus alcançou R$ 10,41 por conta. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) afirma que repasse considera o consumo de 116 kWh. No limite, uma unidade consumidora que teve registro de consumo de 349,99 kWh em todos os 12 meses de 2025 receberá R$ 31,38.
Mercado avalia que bônus deve determinar uma deflação em agosto. Os analistas projetam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto será negativo em 0,23%. Se conformada a expectativa, será a primeira variação negativa do índice desde agosto do ano passado (-0,11%), última distribuição da Reserva Técnica Financeira de Itaipu.
Bônus tem relação com repasse de R$ 872,1 milhões de Itaipu. O valor aprovado pela Aneel equivale a uma distribuição do saldo positivo da hidrelétrica e considera R$ 0,00747181/kWh. O bônus deve ser aplicado pelas concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica, conectadas ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
Repasse vai amenizar o custo adicional da bandeira amarela. Vigente desde maio, a cobrança extra estabelecida pela Aneel eleva o valor das contas de luz em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A reguladora afirma que a escassez hídrica exigiu o acionamento das usinas termelétricas, que geram energia com um custo maior do que o das hidrelétricas.
Efeito positivo sobre o bolso das famílias será temporário. Para setembro, haverá a recomposição dos preços da energia elétrica, além da expectativa de outros fenômenos com potencial inflacionário, apontam economistas. "Se houve seca demais, o acionamento das térmicas elevaria ainda mais as contas de luz", diz Roberto Troster, coordenador do Cefeb (Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras), da Fipe.
Nossa expectativa atual é de deflação de 0,17% para o IPCA de agosto em função desse efeito [bônus de Itaipu]. Dado que é um efeito temporário, o IPCA de setembro reflete o fim dos descontos. Julio Barros, economista do Daycoval
Prévia da inflação de agosto indicou queda de 0,4% dos preços. Com as contas de luz 6,25% mais baratas, o IPCA-15 teve a menor variação para o mês desde 2022 (-0,73%). A redução de 0,57% dos alimentos, guiada pelas quedas do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%), também contribuiu para a deflação.
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