A promotoria de Paris anunciou, na quinta-feira (10), a abertura de investigações contra o prefeito da cidade, Emmanuel Grégoire, e sua antecessora, Anne Hidalgo, após denúncias de omissão no combate à violência sexual nas escolas parisienses.
"As denúncias foram recebidas e os inquéritos foram abertos", declarou a promotora Laure Beccuau à emissora France Inter. "Temos várias denúncias, de diferentes origens, que foram reunidas e, portanto, as investigações foram iniciadas", disse.
Desde o início de 2026, 132 monitores responsáveis por atividades organizadas nas escolas fora do horário das aulas foram suspensos pela Prefeitura de Paris. Desses, 52 foram afastados por suspeita de violência sexual.
A promotora esclareceu que "três denúncias" contra a administração municipal ou autoridades municipais foram recebidas até o momento.
A mais recente foi apresentada na sexta-feira (4) por cerca de 15 famílias que denunciam violência e abusos sexuais contra seus filhos. A ação tem como alvos Anne Hidalgo, prefeita de Paris de 2014 a 2026, e Emmanuel Grégoire, que hoje ocupa o cargo e foi seu vice por seis anos. Reunidas em torno do coletivo MeTooEcole, as famílias pedem à Justiça que apure o que essas autoridades sabiam sobre as falhas nas atividades extracurriculares.
A denúncia cita os crimes de exposição deliberada de terceiros a perigo, omissão de socorro e não comunicação de infrações cometidas contra crianças, algumas com idades entre dois e quatro anos.
"Embora o escândalo seja de âmbito nacional, a Sra. Hidalgo considera que essas investigações são muito bem-vindas para entender como crianças parisienses puderam ser entregues a pedocriminosos", declarou seu advogado, Patrick Klugman. A ex-prefeita e seu sucessor serão ouvidos na próxima semana por uma comissão de inquérito do Senado. Muitas famílias manifestaram indignação com a lentidão da Justiça.
"São investigações inevitavelmente demoradas", admitiu a procuradora Laure Beccuau na quinta-feira. "Às vezes, diz-se, de forma simplista demais, a meu ver, que é a palavra de um contra a do outro, mas uma investigação bem feita pode ajudar a combater essa impressão e a estabelecer a verdade", ressaltou.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.