O Corinthians tem um mérito inegável: não engana a Fiel.
Não permite criar expectativas positivas, sonhar.
Já toma um gol logo de cara, aos 3 minutos, em cobrança de escanteio, cabeçada, defesaça de Hugo, agora goleiro da Seleção, e não apareceu ninguém para evitar o rebote de Castro: 1 a 0.
O Campeonato Argentino tem 30 times e, em oito jogos, o Estudiantes somou 7 pontos. Apenas seis times têm pontuação menor. São dois grupos de 15 e o Estudiantes está em 13º no A.
Exatamente aí reside a chance do Corinthians no jogo de volta em Itaquera: o Estudiantes é muito ruim.
A vantagem argentina estava em jogar com 11 jogadores, enquanto o Corinthians, com Memphis centralizado, jogava com dez.
O que era quinta derrota alvinegra seguida, véspera da sexta no Maracanã, domingo, contra o Flamengo, estava anunciada e o time, com salários atrasados, cumpria.
Será falso dizer que o Corinthians não tem cara, porque tem: a cara sonsa, perdida, de quem vive em mundo paralelo de seu presidente, Osmar Stabile, que deveria ter acento no sobrenome, mas jamais ter assento na presidência do clube.
O primeiro tempo pedestre terminou 1 a 0, sem que os brasileiros chutassem nem sequer uma vez no gol argentino, embora com mais posse de bola.
Se o Estudiantes fosse um pouquinho melhor trataria de jogar o segundo tempo para liquidar o confronto.
Era improvável que o fizesse, porque muito limitado.
A Fernando Diniz caberia botar Gui Negão para brigar na área e recuar Memphis, o holandês esperto. E preguiçoso.
Não pôs e viu Rodrigo Garro fazer passe preciso e precioso para Kaio César invadir a área e empatar 1 a 1.
O Corinthians seguiu com mais posse e com dez, porque Memphis e nada dava no mesmo.
Garro fazia, enfim, um bom jogo, mas Bidon, outro agora da Seleção, não estava em boa noite.
À altura de uma hora da partida, o Estudiantes buscaram pressionar mais e começaram a dar espaço para o Corinthians contra-atacar.
Os donos da casa só jogavam com 11 porque o assoprador de apito não teve coragem de dar o segundo amarelo ao Carrillo deles que deu cotovelada em Gabriel Paulista que deve estar ouvindo o galo na testa cocoricar até agora.
Charles entrou no jogo aos 70, quando por duas vezes o Estudiantes por pouco não fez o 2 a 1. Saiu Carrillo, dispersivo.
O Corinthians ia levando um empate valioso para casa e o Estudiantes perdia a paciência.
Mesmo uma derrota por um gol não seria catastrófica.
Mas a bola passou a queimar nos pés paulistas, sem que houvesse razão técnica para tanto porque, repita-se, o adversário nem por isso.
Matheus Pereira, o genérico, substituiu Garro, aos 87.
Pedro Raul no lugar de Memphis, aos 89.
Seis minutos de acréscimos para segurar o empate ou até mesmo uma derrota reversível.
Que não aconteceu porque Hugo Souza fez milagre, aos 48, só para dar razão a Carlo Ancelotti.
Sim, sem incoerência: o Corinthians não permite sonhar, mas o Estudiantes permite.
Por incrível que pareça o Corinthians está perto de ficar entre os quatro melhores do continente.
Deve pegar o Flamengo nas semifinais se não aprontar um vexame em Itaquera.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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