A Justiça do Paraná cancelou a audiência de custódia de João Vitor Domingues Romeiro, 25, preso em flagrante pela morte da ex-esposa, a médica Gassi Mazia, 37. A mulher foi encontrada morta com facadas pelo corpo no apartamento onde morava, em Maringá (PR).
O que aconteceu
Audiência de custódia seria realizada na tarde de hoje, mas foi cancelada pela segunda vez. Ainda não foi designada uma nova data. O acusado está hospitalizado, com uso de traqueostomia, e sem previsão de alta, afirmou o tribunal. Se o réu estiver sem condições clínicas ou sedado, o trâmite é adiado e será realizado assim que ele receber alta médica.
Crime ocorreu na noite do último sábado, no apartamento da vítima. João Vitor teve a prisão preventiva decretada no dia seguinte.
Antes de ser preso, o homem procurou uma familiar em Mandaguari, a cerca de 32 km de Maringá. Ele enviou mensagens para saber se ela estava na cidade por volta das 20h e, 50 minutos depois, ligou perguntando o endereço da casa dela e foi até o local. Até então, ninguém sabia da morte da médica.
Ao chegar ao local, ainda dentro do carro, ele confessou o crime à familiar. "Disse para mim que ele e a Gassi tinham brigado e que ele tinha matado ela", afirmou a testemunha, que não teve sua identidade divulgada, em depoimento à Polícia Civil. Um trecho da fala dela foi divulgado pela página "Plantão Maringá".
A mulher acionou a PM e o Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) após a confissão. João Vitor apresentava ferimentos na região do pescoço. Ele recebeu voz de prisão em flagrante na casa da mãe e foi internado sob escolta policial.
A defesa de João Vitor Domingues Romeiro afirmou que aguarda a melhora do quadro de saúde dele para se pronunciar. "Aguardamos que ele consiga verbalizar, se comunicar normalmente para termos as informações necessárias", disse o advogado Israel Batista de Moura.
Marcas de sangue em diferentes cômodos do apartamento
O apartamento onde Gassi foi encontrada morta apresentava marcas de sangue em diferentes cômodos e facas sujas de sangue, segundo o delegado. Em vídeo de depoimento à imprensa publicado nas redes sociais, Adriano Garcia, chefe da Delegacia de Homicídios de Maringá, classificou o local como "um cenário de terror" e afirmou que a vítima teria sido atingida por ao menos dez golpes de arma branca.
Segundo o delegado, João Vitor teria ido a Maringá na noite de sábado para visitar o filho de oito meses que tinha com Gassi. O casal havia se separado, mas, de acordo com o policial, o homem queria reatar o relacionamento.
Ainda conforme o relato do delegado, os dois tiveram um desentendimento durante a visita. Depois, João Vitor teria atacado a médica. Na sequência, ele teria seguido para Mandaguari, onde moram familiares de sua mãe.
O bebê estava no apartamento quando a mãe foi encontrada sem vida. Segundo o delegado, a criança havia sido colocada para dormir antes de o suspeito deixar o imóvel. O choro do bebê teria levantado o alerta de vizinhos, que acionaram a polícia.
A vítima era médica na UBS Nova Aliança, na cidade de Sarandi. A prefeitura lamentou a morte dela em nota divulgada nas redes sociais. "Diante da circunstância de sua morte, manifestamos nosso repúdio a toda forma de violência contra as mulheres", diz trecho da nota.
O advogado trabalhava como assessor jurídico na Procuradoria-Geral da cidade de Marialva e foi exonerado. A exoneração de João Vitor foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial do município e anunciada pela prefeitura nas redes.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
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